Após acusações, grupo de mulheres protesta por mortes de bebês na Santa Casa de Pindamonhangaba

Manifestantes apontam irregularidades na maternidade atendimento obstétrico é alvo de questionamentos nas ruas, tribuna e redes sociais

Portaria da Câmara em Pindamonhangaba, que teve protesto após reclamações por possível negligência médica(Foto: Bruna Silva)

Após diversas reclamações do atendimento à gestantes na maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Pindamonhangaba, um grupo de mulheres se reuniu na Câmara, nesta segunda-feira (27), para protestarem. Elas questionaram o sistema, depois do registro de casos de mortes de bebês na cidade. O tema chegou à tribuna.

A polêmica começou, ainda na última semana, com uma série de publicações nas redes sociais reclamando do atendimento na unidade de saúde que é referência no atendimento. “Três anos atrás perdi minha filha (por negligência médica) na Santa Casa de Pindamonhangaba. Hoje, minha prima ganhou um bebê morto. Pelo amor de Deus! Ela há dias vem sentindo dores indo pra lá”, contou uma moradora. “Isso aconteceu comigo. Fui na Santa Casa numa quinta-feira. Eles já não escutaram o coração do bebê e me mandaram embora pedindo para que eu retornasse na terça-feira, porque naquele dia não tinha vaga pra me deixarem lá e não teria nenhum remédio para elas me darem (sic). Mas na sexta-feira senti muitas dores e voltei lá cedo e novamente não escutaram o coração, então me deixaram no soro e fiz a ultrassom e o bebê estava sem vida”, comentou outra internauta.

Ainda no início deste mês, o vereador Julinho Car (PODEMOS) fez apontamento sobre outro recém-nascido que veio à óbito, também na Santa Casa.

Em discurso na tribuna, uma das líderes da causa materna da cidade e doula, Milena Fondelo, questionou o porquê da verba de R$ 600 mil encaminhada pela deputada estadual, Isa Penna (PSOL) ainda não ter sido aplicada ao município. O montante deve ser destinado par ações de melhoria na assistência ao pré-natal, fortalecimento da saúde primária nos postos de saúde e junto aos agentes comunitários, além de efetivar a construção de um Centro de Parto Normal e garantir o acesso das usuárias do SUS (Sistema único de Saúde) a informações sobre planejamento reprodutivo e ao DIU (Dispositivo Intrauterino) de cobre.

Por meio de nota, a Prefeitura de Pindamonhangaba garantiu que a pasta responsável notificou a unidade de saúde para que preste esclarecimentos sobre os fatos narrados. A gestão poderá se manifestar publicamente sobre a as apurações e também tomar as devidas providencias. “A secretária de Saúde ressalta que está de portas abertas para acolher todas as gestantes que tiveram alguma notificação ou problema para que o relato seja devidamente colhido e o município possa atuar dando a devida atenção para cada caso específico”, assegurou. Uma nova reunião estava marcada para a última segunda-feira (27), entre os parlamentares, membros Comus (Conselho Municipal de Saúde) e dirigentes da Santa Casa.

Por Bruna Silva | Jornal Atos