Começa o julgamento dos acusados de matar arquiteto em São Sebastião; familiares e amigos pedem justiça

Começou na manhã desta segunda-feira (27/9), no Fórum de São Sebastião, o julgamento da bacharel em Direito Paula Regina Martins Sant’anna e do ex-funcionário público Robson de Souza, o “Kero-Kero”, acusados do assassinato do arquiteto Wesley Augusto Sant’anna, o Lelo, em 6 de outubro de 2018.

Eles irão a juri popular. Ainda no início da manhã, familiares e amigos da vítima chegaram próximo ao Fórum – cujo o acesso encontra-se bloqueado – todos vestidos com camisetas com a foto de Lelo e a palavra “Justiça”. 

Por volta de 9h, chegou um furgão do Sistema Peniténciário trazendo “Kero-Kero”, que está preso no CDP de Caraguatatuba, e às 10h20 uma outra van com a acusada Paula Regina, vinda da cadeia de Tremembé (SP).  A previsão é que o julgamento dure cerca de 10 horas. Não é permitida a presença de público. 

De acordo com informações apuradas pela reportagem do Radar Litoral, a advogada de “Kero-Kero” teria alegado problema de saúde e, com isso, o julgamento seria desmembrado, sendo julgada nesta segunda-feira apenas Paula Regina. Desta maneira, o julgamento dele seria remercado. 

O isolamento da rua de acesso ao fórum é feito pela Guarda Civil Municipal e agentes do Detraf. “Que seja feita justiça”, disse emocionado o irmão da vítima, Williams Santana. Outros parentes e amigos de Lelo seguem próximo ao Fórum. 

O crime

Lelo foi morto enquanto dormia com golpes na cabeça por objeto perfurante. O crime ocorrido no dia 6 de outubro de2018 chocou todo o Litoral Norte e teve repercussão nacional.

Paula Regina era esposa da vítima, com quem teve duas filhas. “Kero-Kero” era amigo da família e também seu amante. Ela foi presa no dia 31 de dezembro de 2018, véspera de ano novo, após mandado de prisão expedido pela justiça.

“Kero-Kero” já havia sido preso. Ele se entregou à polícia no dia 6 de novembro de 2018. Desde então, ambos estão presos.

Lelo foi presidente do Rotary Club de São Sebastião e era ex-policial militar. Ele ocupava cargo de chefe da Divisão de Obras Particulares da Prefeitura.

O caso

Conforme reportagens do Radar Litoral à época, no relatório enviado ao MP constam vários trechos de conversas trocadas entre Paula e “Kero-Kero”, nos quais de acordo com a investigação policial, comprovam que mantinham um caso extraconjugal. Os telefones celulares passaram por perícia. Em uma das conversas, Paula Regina diz o seguinte: “eu sei que vc está desesperado, eu entendo vc; morro de dor no coração, mas preciso que me entenda também; olha só, não se preocupe, eu quero ficar com você, pra isso, vai ter que acontecer”.

Ainda na conversa, conforme o relatório policial, ela continua: “então tenha calma, eu vou te ajudar, mas não é pra ontem, tenha calma. O mais importante é eu querer ficar com vc e saber que pra isso as coisas vão ter que acontecer”.

Nas mensagens enviadas por WhatsApp também foram constatadas diversas “fotos íntimas” enviadas por Paula Regina a Robson de Souza. Posteriormente, após mandado de busca, foram apreendidas lingeries que condizem com as constantes nas imagens.

A noite do crime

A investigação mostra que na noite de 5 de outubro, poucas horas antes do crime, “Kero-Kero” ligou dez vezes para Paula Regina. A primeira ligação às 22h09 e a última às 23h50.

No relatório do inquérito policial, o delegado salienta que na noite do crime Paula Regina deixou uma das filhas na casa de sua mãe e permaneceu com a outra em sua companhia, na tentativa de produzir álibi.

Durante o dia, “Kero-Kero” e Wesley Sant’anna estiveram juntos em um bar da região central da cidade até por volta das 22h. Pouco depois, Wesley seguiu de moto pra casa, enquanto “Kero-Kero” seguia para próximo à casa.

Câmeras do COI registraram o veículo estacionado próximo ao ginásio de esportes, no Varadouro, a cerca de 100 metros da residência da vítima. Neste local, ele permaneceu por cerca de quatro horas.

Também no inquérito, Paula Regina diz em depoimento que ao chegar em casa Lelo ingeriu mais duas cervejas e juntos comeram comida japonesa e que o marido permaneceu na sala assistindo TV. Paula Regina disse em depoimento que foi acordada por volta das 2h30 pela filha, que disse ter ouvido sons na parte inferior da casa. Relata que preocupou-se em fazer a filha dormir e somente após meia hora desceu e chamou vizinhos. Lelo foi morto com golpes na cabeça, tendo sido utilizado objeto perfurante.

Retirada de dinheiro no banco

De acordo com a investigação policial, dois dias após a morte violenta do esposo, Paula Regina, utilizando dos cartões e senha pessoal de Wesley Augusto, promoveu indevidamente a transferência de R$ 15 mil da conta dele para a dela própria, movimentando ainda no tempo de tramitação do inquérito a quantia superior a R$ 30 mil. Três dias decorridos do crime, Paula Regina outorgou procuração a advogado para a abertura do processo de inventário. Ela foi indiciada por participação no crime no dia 20 de dezembro.

Por Radar Litoral