Ilhabela inicia trabalho para implantação de saneamento por biodigestores no Bonete

Iniciaram as atividades de campo para a implantação do novo sistema de saneamento por biodigestores na comunidade do Bonete em Ilhabela. 

No dia 20 de setembro, equipes da Prefeitura de Ilhabela e da Sabesp, juntamente com as ONGs locais, Associação Bonete Sempre e Instituto Bonete, realizaram um levantamento por residência para identificar quais casas são de moradores e turistas, se há área para os biodigestores nas propriedades, e coletar dados para gerar um diagnóstico com informações do que é preciso para a implantação do sistema de saneamento básico com biodigestores individualizados.

Segundo o biólogo e gestor ambiental Edson Lobato, que é coordenador do Instituto Bonete, o biodigestor é uma unidade de tratamento que faz o papel da fossa séptica e do filtro conjuntamente. É um sistema que recebe o esgoto, reduz a carga orgânica e retém o lodo, a partir daí ocorre um tratamento biológico onde as bactérias consomem o efluente.

Lobato pontua as conquistas sustentáveis que estão sendo realizadas na comunidade. “Historicamente as principais demandas do Bonete eram a falta de energia elétrica, a falta de acesso para quem vai a pé, já que não havia passarela para acessar o local, e também o saneamento”, esclarece.

A comunidade conquistou a energia com o uso das placas solares, que chegaram ao Bonete depois de pedidos de melhoria no fornecimento de energia dos próprios moradores ao Ministério Público. Também foram realizadas reformas da hidrelétrica e a instalação de uma turbina hidráulica, para geração de energia hidrelétrica através da circulação de fluxo de água da cachoeira.

O acesso para a Comunidade do Bonete é possível apenas por barco ou por uma trilha de 12 quilômetros. Sobre isso o coordenador do Instituto Bonete esclarece: “conseguimos melhorar o acesso para o Bonete, não existia uma passarela para o acesso, então conseguimos levar as três passarelas, agora falta levar o saneamento para caminhar para o futuro sustentável”, pontua.

De acordo com Xico Graziano, Secretário do Meio Ambiente de Ilhabela, após essa primeira etapa o município deve lançar uma licitação para contratação de empresa para realizar o serviço. A implantação total do sistema deve demorar um ano.  

O processo de implantação de saneamento básico no Bonete, que conta com a participação direta das ONGs locais, será um modelo para as outras comunidades tradicionais. Graziano aponta que outras comunidades serão atendidas até 2024 e que a tecnologia para cada comunidade será definida dependendo do potencial poluidor. “Castelhanos será a próxima, lá existem 2 polos de vida caiçara a serem atendidos”, pontua o secretário.

O secretário também explicou que o monitoramento da água em vários pontos vai gerar informações para a gestão da qualidade dos recursos hídricos e a eficácia do sistema de saneamento e evitar que o mar receba carga poluidora. Para isso, a equipe da Sabesp realizou coletas iniciais para fazer a medição da qualidade da água. “Em toda a Ilhabela estamos organizando, com ajuda do Movimento Somos Ilhabela, um sistema de monitoramento da qualidade da água dos córregos”.

O trabalho de implantação ainda contará com educação ambiental para as famílias atendidas e com a participação das ONGs da comunidade e serviços da empresa contratada. Nesta etapa as famílias vão aprender a dispor corretamente os resíduos e a água servida, com o treinamento e instrução da empresa que vencer a licitação e a participação da ONG. As crianças da escola do Bonete também participarão da aprendizagem em educação ambiental e sustentável na escola. 

Para Edson Lobato, “a ideia é fazer do Bonete um destino sustentável! É no que estamos trabalhando e agora voltamos às ações para fechar essa conta com o saneamento por biogeradores. Daqui para frente é alavancar o ecoturismo e resgate da cultura caiçara, meta que já poderá ser uma prioridade assim que efetivar essa etapa”, finaliza. 

Por Claudinéia Silva