Caso Lelo: esposa é condenada a 18 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do arquiteto em São Sebastião

Terminou na madrugada desta quarta-feira (29/9), no Fórum de São Sebastião, o julgamento de Paula Regina Martins Sant’anna, condenada a 18 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do marido Wesley Augusto Sant’anna, o Lelo, em 6 de outubro de 2018. O júri popular começou na manhã da última segunda-feira (27/9).

O outro envolvido no assassinato, Robson de Souza, o “Kero-Kero”, que era amante de Paula, será julgado em outra data, após apresentação de atestado médico por sua advogada.

Conforme reportagem publicada pelo Radar Litoral, o julgamento de Paula Regina começou às 10h de segunda-feira (27/9). No primeiro dia foram ouvidas três testemunhas e a sessão do júri interrompida às 23h, sendo reiniciada na terça-feira (28/9), com as oitivas da acusada e apresentações da acusação e da defesa.

Ainda segundo apurou o Radar Litoral, no interrogatório Paula Regina negou particiação na morte do marido e atribuiu o crime a “Kero-Kero”, com quem confirmou ter um relacionamento extraconjugal. 

Ainda na segunda-feira, familiares e amigos do arquiteto Wesley Sant’anna chegaram próximo ao Fórum – cujo o acesso permaneceu bloqueado – todos vestidos com camisetas com a foto de Lelo e a palavra “Justiça”.  O grupo acompanhou a chegada do furgão do Sistema Peniténciário trazendo “Kero-Kero”, que está preso no CDP de Caraguatatuba, e pouco depois uma outra van com a acusada Paula Regina, vinda da cadeia de Tremembé (SP).  Não foi permitida a presença de público. 

O crime

Lelo (foto acima) foi morto enquanto dormia com golpes na cabeça por objeto perfurante. O crime ocorrido no dia 6 de outubro de2018 chocou todo o Litoral Norte e teve repercussão nacional.

Paula Regina era esposa da vítima, com quem teve duas filhas. “Kero-Kero” era amigo da família e também seu amante. Ela foi presa no dia 31 de dezembro de 2018, véspera de ano novo, após mandado de prisão expedido pela justiça.

“Kero-Kero” já havia sido preso. Ele se entregou à polícia no dia 6 de novembro de 2018. Desde então, ambos estão presos.

Lelo foi presidente do Rotary Club de São Sebastião e era ex-policial militar. Ele ocupava cargo de chefe da Divisão de Obras Particulares da Prefeitura.

Conforme reportagens do Radar Litoral à época, no relatório enviado ao MP constam vários trechos de conversas trocadas entre Paula e “Kero-Kero”, nos quais de acordo com a investigação policial, comprovam que mantinham um caso extraconjugal. Os telefones celulares passaram por perícia. Em uma das conversas, Paula Regina diz o seguinte: “eu sei que vc está desesperado, eu entendo vc; morro de dor no coração, mas preciso que me entenda também; olha só, não se preocupe, eu quero ficar com você, pra isso, vai ter que acontecer”.

Ainda na conversa, conforme o relatório policial, ela continua: “então tenha calma, eu vou te ajudar, mas não é pra ontem, tenha calma. O mais importante é eu querer ficar com vc e saber que pra isso as coisas vão ter que acontecer”.

Nas mensagens enviadas por WhatsApp também foram constatadas diversas “fotos íntimas” enviadas por Paula Regina a Robson de Souza. Posteriormente, após mandado de busca, foram apreendidas lingeries que condizem com as constantes nas imagens.

A noite do assassinato

A investigação mostra que na noite de 5 de outubro, poucas horas antes do crime, “Kero-Kero” ligou dez vezes para Paula Regina. A primeira ligação às 22h09 e a última às 23h50.

No relatório do inquérito policial, o delegado salienta que na noite do crime Paula Regina deixou uma das filhas na casa de sua mãe e permaneceu com a outra em sua companhia, na tentativa de produzir álibi.

Durante o dia, “Kero-Kero” e Wesley Sant’anna estiveram juntos em um bar da região central da cidade até por volta das 22h. Pouco depois, Wesley seguiu de moto pra casa, enquanto “Kero-Kero” seguia para próximo à casa.

Câmeras do COI registraram o veículo estacionado próximo ao ginásio de esportes, no Varadouro, a cerca de 100 metros da residência da vítima. Neste local, ele permaneceu por cerca de quatro horas.

Também no inquérito, Paula Regina diz em depoimento que ao chegar em casa Lelo ingeriu mais duas cervejas e juntos comeram comida japonesa e que o marido permaneceu na sala assistindo TV. Paula Regina disse em depoimento que foi acordada por volta das 2h30 pela filha, que disse ter ouvido sons na parte inferior da casa. Relata que preocupou-se em fazer a filha dormir e somente após meia hora desceu e chamou vizinhos. Lelo foi morto com golpes na cabeça, tendo sido utilizado objeto perfurante.

Retirada de dinheiro no banco

De acordo com a investigação policial, dois dias após a morte violenta do esposo, Paula Regina, utilizando dos cartões e senha pessoal de Wesley Augusto, promoveu indevidamente a transferência de R$ 15 mil da conta dele para a dela própria, movimentando ainda no tempo de tramitação do inquérito a quantia superior a R$ 30 mil. Três dias decorridos do crime, Paula Regina outorgou procuração a advogado para a abertura do processo de inventário. Ela foi indiciada por participação no crime no dia 20 de dezembro.

Por Radar Litoral