Lorena e Potim têm juntas 12 mil pessoas com doses atrasadas contra Covid-19

Secretarias lutam para reduzir déficit, impulsionadas por acomodação de atendidos e estoque reduzido da AstraZeneca

Aplicação de segunda dose em Lorena; municípios têm dificuldades para imunização da população adulta (Foto: Marcelo A. dos Santos)

Lorena e Potim vem registrando altos índices de faltosos de segunda dose na campanha de vacinação contra Covid-19. Segundo dados da secretaria de Saúde das duas cidades, o número está na casa de 12,3 mil pessoas que não completaram o seu esquema vacinal e não estão protegidas contra casos mais grave da doença.

Do início da pandemia do novo coronavírus até a última segunda-feira (4), a doença já vitimou 6.862 pessoas na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte).

Para a secretária de Saúde de Potim, Maria Rodinéia Rodrigues Paixão, “as pessoas se acomodaram pois o número de infectados está caindo e eles estão imaginando, que ‘ah, já está bom já, tomei a primeira dose e não preciso tomar’. A gente tem feito a vacinação em vários horários para ver se chama a atenção, mas é difícil”, contou.

Maria Rodinéia explicou que agentes da saúde estão diariamente ligando para as pessoas que estão com suas doses atrasadas. A Saúde deve publicar, nos próximos dias, um decreto e colocar em prática o passaporte da vacina para pessoas entrarem em estabelecimentos comerciais como bares e restaurantes. “A nossa estratégia é estar passando para o poder Executivo para que se faça um decreto para a gente poder estar cobrando do comércio, supermercado, e alguns lugares e informando que só pode adentrar com carteira de vacinação com as duas doses”.

Segundo o último boletim divulgado pela Prefeitura, Potim tem 2.206 casos confirmados e 37 mortes, desde o início da pandemia.

Em Lorena a situação é ainda mais grave. De acordo com a supervisora da Vigilância Epidemiológica de Lorena, Helen Colino, a cidade tem 10,2 mil pessoas com a segunda dose atrasada. “A gente está acompanhando as situações de outros municípios e a vê que a quantidade de pessoas que não tomaram a segunda dose nas faixas etárias dos 30 a 59 anos está muito grande”.

O Município tem falta de doses para segunda aplicação da AstraZeneca, e com isso, a cidade está utilizando o imunizante da Pfizer para completar o esquema vacinal. “A população da faixa etária de 50 a 59 anos que estava programada para receber a segunda dose da vacina da AstraZeneca já está recebendo a vacina da Pfizer com a orientação da secretaria estadual de Saúde”. Assim como outras cidades, em Lorena pessoas que recebem aplicação da Pfizer como complemento da AstraZeneca estão assinando um termo de ciência sobre a medida.

No país – Um levantamento realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e divulgado dia 29, apontou que havia no dia 15 de setembro uma taxa nacional de atraso na vacinação da segunda dose de 11%.

A taxa de atraso para a AstraZeneca é de 15%, da Coronavac é de 32% e da Pfizer 1%. O boletim ressalta que a vacinação com Pfizer é mais recente e, comparada com as outras vacinas, existem ainda poucos casos possíveis de atraso de segunda dose.

Os pesquisadores destacam que o atraso da segunda dose pode comprometer seriamente a efetividade das vacinas no país, por isso é de extrema importância realizar o monitoramento para promover ações que atuem de forma assertiva na resolução do problema. A proteção contra Covid-19 só é adequada após a vacinação completa, com duas doses. Apenas a vacina da Janssen é aplicada em dose única.

Por Marcelo Augusto dos Santos | Jornal Atos