Médico e vereador discutem após parlamentar invadir UPA em Taubaté, SP

Vereador foi ao local após reclamações de demora no atendimento e houve tumulto com médico na unidade. Ao g1 o médico disse que mais de 200 pacientes foram atendidos e que a demanda era maior que a capacidade da UPA.

Médico e vereador discutem após parlamentar invadir UPA em Taubaté — Foto: Reprodução
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Um médico e um vereador discutiram após parlamentar invadir uma unidade de atendimento em Taubaté alegando reclamações de munícipes por demora no atendimento nesta quarta-feira (12). As imagens da discussão circularam a rede social.

A reportagem o médico disse que mais de 200 pacientes foram atendidos e que a demanda era maior que a capacidade da unidade. A prefeitura confirmou que houve alta demanda e que o caso foi registrado na Polícia Civil.

A confusão aconteceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central, que recentemente deixou de fazer o atendimento exclusivo de Covid-19, retomando o atendimento geral.

Na tarde desta quarta-feira (12), segundo o vereador Moisés Pirulito (PL), ele estava a caminho da sessão da câmara quando recebeu diversas mensagens reclamando da demora no atendimento na unidade e foi ao local.

Ao g1, ele disse que ao chegar no local foi abordado por um médico que questionou a invasão e pediu que deixasse a unidade, quando passou a gravar a discussão. Na imagem viralizada na rede social, o vereador usa palavrões para dizer que o médico seria obrigado a atender a população, começando um tumulto.

“O enfermeiro chefe começou a falar comigo e um médico saiu de uma sala sem máscara dizendo que eu não poderia estar ali fiscalizando o serviço deles. Vi que ele começou a ficar exaltado e comecei a filmar para me resguardar”, disse.

Ele e o médico discutiram por alguns instantes e depois que o profissional disse que ninguém faria o atendimento com a presença do vereador ele deixou o local e registrou um boletim de ocorrência contra o profissional por injúria.

O que diz o médico

A reportagem conversou com o médico, Lucas Azevedo. Ele contou que fazia um plantão de 24 horas e que a UPA estava lotada. Ele contou que havia quatro médicos no local, além dos emergencistas, mas que foram atendidos 223 pacientes, uma demanda alta para a estrutura do hospital.

“Somos em quatro médicos, uma média de 60 pacientes por profissional. Se levamos dez minutos de consulta são dez horas de trabalho sem parar para fazer uma sutura ou atender uma emergência. Todos os pacientes foram triados e só quem não era emergência ficou na espera, não colocamos a saúde de ninguém em risco”, comentou.

Lucas disse ainda que a espera da quarta-feira era pela estrutura da unidade, que não conseguia dar vazão de medicação a todos de uma só vez.

“A gente atende e encaminha para medicação e exame, mas a estrutura não dá conta de atender todos de uma vez. Só que ao invés do vereador questionar a estrutura, ele vem gritar com médico. Eu só atendo SUS, dedico minha carreira na saúde pública, estive na linha de frente da Covid-19 até agora. Ele não viu isso e só fez me expor e ofender”, disse.

O médico disse ainda que registrou boletim de ocorrência contra o parlamentar e que vai buscar a Justiça por medidas cabíveis pela abordagem e exposição.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Taubaté confirmou a alta demanda e disse que a UPA Central voltou recentemente a prestar o atendimento de urgência e emergência, já que antes estava como referência no atendimento apenas para Covid-19. Disse ainda que após a discussão a polícia foi acionada.

Sobre a alegação do médico da falta de estrutura para vazão no atendimento, a reportagem acionou a gestão, mas aguardava o retorno até a publicação.