Médico registra boletim de ocorrência e vai entrar com ação contra prefeita de Ubatuba

Após situação ocorrida na tarde de terça-feira (04), um médico do Pronto Atendimento (PA) da Maranduba registrou boletim de ocorrência na polícia e disse que moverá uma ação por danos morais contra a prefeitura de Ubatuba e a prefeita Flávia Pascoal (PL), devido ao que ele classificou como “tratamento aviltante e vexatório para com o profissional médico”. Ele afirmou, ainda, que houve desrespeito ao local privativo dos médicos e ao seu direito legal a um período de descanso. Também considerou que a prefeita agiu de forma agressiva e imprópria para uma unidade de emergências médicas. 

Às 16h21 de terça (04), a prefeita Flávia publicou em sua página no Facebook um vídeo com o título “Prefeita adverte atendimento na saúde! Região Sul Pronto Atendimento!”, no qual aparece em frente ao PA da Maranduba, ao lado do vereador Josué Lourenço dos Santos, o “D’Menor” (AVANTE).

No vídeo, em tom exaltado, a prefeita afirma: “Estou aqui na Regional Sul, no PA da Maranduba, e agora tive que fazer uma ação aqui de tacar a mão dentro do quarto que o médico tava deitado sem atender a população. Já acionei a secretaria de saúde e não aceito como prefeita esse tipo de atitude. Já vamos trocar esse médico. Aqui é pra atender o povo, o povo que espera. E não é pra deixar o povo esperando, não. Não aceito isso, fui lá e já dei a ordem que deveria pra esse médico que está fazendo isso com o povo.”

O portal Tamoios News procurou a chefia do PA e o médico envolvido para comentar o caso. A chefia não retornou até o fechamento desta matéria. Já o médico concedeu seu relato, mas preferiu não ter seu nome identificado na reportagem.

Leia abaixo, na íntegra, o depoimento do médico a respeito do ocorrido:

A realidade dos fatos é a seguinte. Solicitei à coordenação um outro médico substituto no meu lugar logo no início da tarde, por estar com muita dor abdominal, diarreia e dor de cabeça, gastroenterite típica do Litoral. Porém, com o alto fluxo de pacientes nessa epidemia de H3N2, não foi possível encontrar outro médico com rapidez.

Mesmo assim continuei atendendo a alta demanda de pacientes junto com outro colega médico, com pequenos intervalos que nos são garantidos pela legislação atual.

Estava em um pequeno intervalo de descanso quando, não sei por qual motivo, uma vez que Maranduba é um bairro afastado do centro, aparecem a Prefeita e um Vereador e, sem bater na porta, entram aos berros de forma agressiva e constrangedora.

Isso ocorreu por volta das 15 horas da tarde, ou seja, três horas depois que eu já havia comunicado à coordenação do PA o fato de estar doente e haver solicitado médico substituto. Apesar de doente, continuei atendendo.

O pior foi o fato dela fazer chacota quando a informei que estava doente e já havia solicitado substituição. Ainda pior foi sair gritando aos berros pela porta do PA, dizendo impropérios sem razão.

Os atestados médicos não me deixam mentir. Avisei os colegas médicos logo pela manhã. Trabalho há 10 anos na Maranduba e nunca tive reclamações, muito pelo contrário, sempre fui alvo de muitos agradecimentos, tanto na Maranduba quanto durante toda a minha carreira de 30 anos trabalhando em pronto socorros.

Às 15h16 eu fiz um Boletim de Ocorrência na Polícia Militar de SP devido a esse tratamento aviltante e vexatório para com o profissional médico e vou mover uma ação por danos morais contra a Prefeitura de Ubatuba e contra a pessoa da atual Prefeita.

Comuniquei aos médicos e todos foram unânimes que o ocorrido foi um atentado à dignidade médica. Primeiro por desrespeitar o local privativo dos médicos e seu direito legal a um período de descanso, mas também por atuar de forma agressiva e com palavreado impróprio (gritando alto) para uma unidade de emergências médicas. Isso em plena epidemia de H3N2, epidemia de Rotavirus e início de alguns casos (inclusive fatais) da mutação Ômicron da Covid-19.

Por Tamoios News