Questionamentos sobre atendimento mobilizam polícia e familiares aguardam resultados de laudo
Por Redação | Porta A Gazeta RM
A Polícia Civil de Taubaté (SP) investiga a morte de Marcela Santos Miguel da Conceição, de 30 anos, que faleceu na manhã de sexta-feira (28) na recepção do Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT), conforme registrado em boletim de ocorrência.
Segundo o documento policial, Marcela começou a sentir fortes dores abdominais no domingo (23), quando procurou atendimento na UPA Santa Helena, em Taubaté — onde teria sido diagnosticada com pedra nos rins considerada de pequeno porte e medicada para expulsão natural.
Ainda com dores, ela retornou à UPA na quarta-feira (26), realizou exames — inclusive raio-X e de urina — e recebeu medicação mais intensa para tentar eliminar o cálculo renal. Mesmo assim, continuou sem melhora.
Na quinta-feira (27), ao perceber inchaço abdominal e dor persistente, ela procurou a UPA Central de Taubaté. Novamente medicada, foi liberada para continuar em casa, segundo a família.
Na manhã de sexta (28), Marcela e a mãe foram ao HMUT com queixas de dor intensa e abdômen visivelmente distendido. Na recepção, recebeu um documento de triagem e foi orientada a se dirigir a outro setor. Ao relatar os sintomas, a equipe informou que a ala atendia prioritariamente casos de ginecologia e pediatria, sugerindo que ela buscasse atendimento na UPA San Marino, unidade referenciada para demandas clínicas gerais.
Diante da impossibilidade de deslocamento imediato e da piora do quadro, a mãe acionou o Samu. Ainda na recepção do hospital, Marcela perdeu os sentidos e, segundo consta no boletim, já se encontrava sem vida quando a equipe de resgate chegou.
O caso foi registrado como morte suspeita e a Polícia Civil acompanha a apuração.
Por meio de nota, a Prefeitura de Taubaté relatou que acompanha o processo de investigação e que aguarda os resultados do laudo pericial do Instituto Médico-Legal (IML), bem como do inquérito instaurado. A gestão municipal afirmou que, caso sejam identificadas falhas em protocolos, omissões ou condutas inadequadas, serão tomadas medidas administrativas.
O HMUT, gerenciado pela Grupo Chavantes, disse que a paciente buscou atendimento na manhã de sexta-feira, mas que, segundo triagem, o quadro não se enquadrava nas urgências atendidas pela unidade — voltada a ginecologia, obstetrícia e pediatria. Por isso, orientou que ela procurasse a UPA San Marino. A instituição informou ainda que, diante da piora súbita, acionou suporte médico e prestou todos os atendimentos possíveis, mas que a paciente já estava sem sinais vitais quando começou o socorro.
A nota ressalta que o hospital prestou apoio à família, registrou boletim de ocorrência e está à disposição das autoridades para esclarecimentos.
Até o momento, a causa da morte não foi oficialmente divulgada. A investigação da Polícia Civil deverá incluir análise de prontuários médicos, exames laboratoriais e periciais, além de ouvir familiares, profissionais e eventuais testemunhas que estavam no hospital no momento.
Os resultados do laudo do IML serão fundamentais para esclarecer se houve complicações relacionadas ao diagnóstico inicial (pedra nos rins), alguma emergência médica não detectada, falha no atendimento ou outro fator que tenha contribuído para o óbito. A família aguarda respostas.
Foto: Arquivo pessoal




