Caso, registrado como morte suspeita, ocorreu em propriedade rural às margens da Rodovia dos Tropeiros; restos mortais seguem no IML enquanto parentes buscam decisão judicial para cremação.
Por Redação | Porta A Gazeta RM
A morte de um trabalhador rural venezuelano de 67 anos em um incêndio durante serviço agrícola na zona rural de Silveiras (SP), ocorrida na sexta-feira (9 de janeiro), expõe não apenas as circunstâncias do acidente, mas também as dificuldades enfrentadas pela família para viabilizar a despedida do homem e o retorno dos restos mortais ao país de origem.
Conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, o homem estava no Brasil há cerca de dois meses, com familiares venezuelanos, para trabalhar em atividades rurais em uma fazenda localizada às margens da Rodovia dos Tropeiros (km 229), no bairro do Ventura, em Silveiras. Por volta das 13h da última sexta-feira, ele realizava serviços de capina em um trecho da propriedade rural, utilizando fogo controlado para a limpeza da vegetação e preparo do solo — uma prática comum em áreas agrícolas para manejo do terreno.
Segundo a ocorrência, o trabalhador havia delimitado previamente a área para conter as chamas, mas ventos fortes teriam alterado repentinamente a direção do fogo, fazendo com que as chamas fugissem do controle. Surpreendido e sem conseguir escapar, ele foi atingido pelas chamas e morreu no local, conforme relato das equipes que atenderam a ocorrência. O corpo foi encontrado totalmente carbonizado em meio à capineira, a cerca de 50 metros da rodovia e aproximadamente 300 metros da residência da fazenda, o que motivou preocupação imediata dos familiares e moradores.
No Brasil e em outras regiões do país, acidentes em queimadas ou uso de fogo em áreas rurais têm sido registrados em diferentes contextos, muitas vezes com vítimas em trabalhos de limpeza de pastagens ou canaviais, o que reforça a necessidade de cuidados com controle e condições climáticas durante essas atividades.
A Polícia Militar foi acionada e preservou o local até a chegada da Polícia Civil e do Instituto de Criminalística, que realizaram os trabalhos periciais, incluindo análise da área e coleta de evidências para o desenvolvimento do inquérito. Em razão da condição de estrangeiro da vítima e das circunstâncias do óbito, o caso foi formalmente registrado como morte suspeita, conforme protocolos legais, embora não existam indícios iniciais de crime no episódio.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Cruzeiro (SP), onde ainda se encontra à disposição das autoridades e da família. A Polícia Civil de Silveiras segue acompanhando o caso e aguarda a conclusão dos laudos periciais para o encerramento do inquérito policial.
A família, descrita como de baixa renda, informou às autoridades que o custo de transporte do corpo para a Venezuela seria elevado e inviável diante da realidade financeira dos parentes. Diante dessa situação, a opção foi pela cremação, com posterior envio das cinzas ao país de origem.
No entanto, a realização da cremação depende de autorização judicial expressa, uma vez que o caso está sob investigação como morte suspeita. A família aguarda a decisão da Justiça, que ainda não foi proferida, o que tem prolongado o processo de despedida e o tempo de espera dos parentes por uma definição legal.
Enquanto a autorização judicial não é concedida, o corpo permanece no IML de Cruzeiro. A Prefeitura de Silveiras e a Polícia Civil não divulgaram prazos para a conclusão dos laudos periciais, necessários para instruir o inquérito e subsidiar decisões judiciais sobre a cremação ou outros encaminhamentos legais e administrativos.
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