Como a esquerda transformou a educação em doutrinação — e quando percebemos o estrago estava feito
Por Claudio Apolinario
Durante décadas, o Brasil assistiu à transformação metódica de escolas em células de doutrinação. A esquerda chama isso de “democratização do ensino”. Eu chamo pelo óbvio: aparelhamento ideológico.
Gramsci ensinou que revolução não se faz com fuzis, mas com livros didáticos. Ele entendeu que a conquista do poder passa pela conquista da cultura. Controlar escolas e universidades significa controlar o imaginário das próximas gerações. É guerra de posicionamento, não de movimento.
No Brasil, essa estratégia foi aplicada com precisão cirúrgica. O Ministério da Educação foi aparelhado e virou laboratório gramsciano. Nos governos de esquerda, as nomeações políticas substituíram critérios técnicos. O conteúdo curricular passou por filtro ideológico. Professores viraram agentes de transformação social — máscara retórica elegante para militantes de sala de aula.
O cavalo de Troia perfeito foi a pedagogia de Paulo Freire. Sob o pretexto de “educação libertadora”, introduziu-se a ideia de que todo conhecimento é político e que o professor deve “conscientizar” o aluno — eufemismo para doutrinação marxista. Freire virou patrono da educação brasileira por lei federal em 2012. Não por acaso, a educação brasileira é um desastre absoluto.
A ironia é brutal: enquanto países asiáticos focavam em matemática, ciências e conteúdo objetivo, o Brasil abraçou pedagogias construtivistas que priorizavam “consciência crítica” sobre conhecimento factual. As consequências são claras: gerações inteiras que decoram slogans de esquerda, mas não sabem interpretar um texto. Sabem protestar, mas não sabem pensar.
O resultado? O país que celebra esse método como gênio pedagógico ocupa as últimas posições em leitura e matemática no PISA 2022, entre 81 países avaliados. Mas para a esquerda, isso não é falha — é método. Afinal, o objetivo nunca foi educar e sim formar militantes.
Veja o ENEM. Prova que deveria medir conhecimento virou teste de alinhamento ideológico. Questões sobre desigualdade social, racismo estrutural e gênero aparecem sistematicamente, enquanto conteúdos factuais de História e Geografia ficam em segundo plano. Matemática e ciências seguem o mesmo destino. A mensagem é clara: importa mais saber a narrativa progressista correta do que dominar conteúdo objetivo.
As universidades federais completaram o projeto. Transformaram-se em feudos ideológicos onde discordância é heresia. Casos de perseguição a professores conservadores são recorrentes, mas raramente ganham visibilidade. Alunos de direita são hostilizados. Currículos privilegiam pensamento crítico de esquerda, vitimismo histórico e relativismo moral — jargões sofisticados para um marxismo requentado.
O mais perverso? Tudo financiado com dinheiro público. O contribuinte que mal terminou o ensino médio paga para formar militantes que o desprezam. E quando questiona o sistema, é taxado de fascista.
A esquerda domina institucionalmente, mas há resistência silenciosa de professores conservadores que, intimidados, não se posicionam. Enquanto a direita discutia currículo e meritocracia, a esquerda construiu, silenciosamente, seu domínio cultural.
Quando os pais conservadores perceberam a captura institucional, já era tarde. Seus filhos estavam doutrinados. As universidades tomadas. A narrativa estabelecida.
A arquitetura desse fracasso educacional foi planejada, sistemática e devastadoramente eficaz. Porque criar cidadãos pensantes é perigoso. Formar militantes obedientes é estratégico.
E assim, o Brasil segue produzindo analfabetos funcionais que repetem bordões revolucionários. A esquerda comemora. Afinal, eles não queriam educação de qualidade. Queriam controle de mentes. E conseguiram.
A pergunta que fica é incômoda: quando a direita vai perceber que batalha cultural não se vence com propostas técnicas, mas com conservadores dispostos a lecionar, a enfrentar hostilidade acadêmica e a não abrir mão de formar a próxima geração?
A esquerda venceu porque executou um plano deliberado de aparelhamento — enquanto a direita, distraída com economia e eleições, nem percebeu o controle institucional acontecendo. Quando finalmente acordou, o estrago estava feito. Hoje, conservadores fogem da educação por medo de hostilidade ou desprezo acadêmico, e a esquerda forma militantes sem oposição. É preciso voltar às salas de aula — não para doutrinar, mas para formar cidadãos pensantes.
É hora de acordar — ou a próxima geração já estará perdida.
| Claudio Apolinario é articulista e analista político.
Foto: Inteligência Artificial




