Decisão ocorreu após laudo do IML apontar traumatismo craniano e lesões torácicas; caso segue sob investigação da Polícia Civil
Por Redação | Porta A Gazeta RM
A Justiça converteu em prisão preventiva a detenção em flagrante do casal preso na segunda-feira (27), investigado pela morte de um bebê recém-nascido de apenas um mês de vida, em Cruzeiro, no interior de São Paulo. A decisão foi tomada após manifestação da Polícia Civil com base no laudo do Instituto Médico Legal (IML), que apontou lesões no corpo da criança.
Os investigados foram identificados pela reportagem como Matheus e Rayane. Até a última atualização desta matéria, a defesa deles não havia sido localizada. O espaço permanece aberto para manifestação.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Sardinha, o avanço das investigações e o resultado do exame pericial alteraram a linha inicial de apuração.
“Com a vinda do laudo, a gente passou da fase inicial de acreditar que o resultado morte teria ocorrido por uma omissão. A gente acreditava que seria um fato decorrente de uma omissão, mas com a vinda do laudo médico-legal, que apontou efetivamente traumatismo craniano e lesões torácicas, ficou evidente que não era apenas uma atitude omissiva e sim uma atitude ativa por parte dos pais com relação às lesões provocadas na criança”, afirmou o delegado.
Atendimento no hospital
De acordo com a Polícia Civil, o bebê deu entrada em estado gravíssimo no pronto-socorro da Santa Casa de Cruzeiro, sem resposta a estímulos e com sinais vitais comprometidos.
A equipe médica realizou manobras de reanimação, mas a criança morreu cerca de 30 minutos após o início do atendimento.
Ainda conforme os investigadores, profissionais de saúde identificaram sinais considerados incompatíveis com morte natural, entre eles hematomas, sangramento pela boca e presença de líquido nos pulmões. Diante da suspeita, a unidade hospitalar acionou as autoridades policiais.
Versões contraditórias
Durante depoimento, os pais teriam apresentado versões divergentes sobre o que aconteceu antes da entrada da criança no hospital.
Segundo consta no boletim de ocorrência, a mãe relatou que o bebê teria permanecido por horas sem supervisão. Para a Polícia Civil, a informação indica possível negligência, especialmente em razão da idade da vítima.
Funcionários da unidade de saúde também relataram comportamento agressivo do pai durante o atendimento médico, além de condutas consideradas inadequadas envolvendo a outra filha do casal, uma criança de aproximadamente dois anos.
Outras informações apuradas
Ainda segundo os policiais que atenderam a ocorrência, com o pai foi localizado um objeto associado ao uso de drogas. O casal também teria admitido o consumo de entorpecentes horas antes do ocorrido.
A Polícia Civil informou ainda que o homem possui antecedentes criminais e histórico de comportamento violento.
Filha acolhida pelo Conselho Tutelar
A filha mais velha do casal foi acolhida pelo Conselho Tutelar, que acompanha a situação e deverá adotar as medidas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Investigação continua
O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Cruzeiro, que busca esclarecer a dinâmica dos fatos, a responsabilidade individual de cada investigado e se houve participação direta ou omissão penalmente relevante.
Se condenados, os investigados poderão responder conforme o enquadramento jurídico definido ao fim do inquérito e eventual denúncia do Ministério Público.
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