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Mulher é presa em flagrante por feminicídio após morte da cunhada em Caçapava, SP

Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29 anos, foi atingida por uma facada na região do pescoço durante uma discussão familiar; investigada alegou legítima defesa

Por Redação | Portal A Gazeta RM

Uma mulher de 19 anos foi presa em flagrante por suspeita de feminicídio após a morte da cunhada, Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29 anos, durante uma discussão familiar na noite desta terça-feira (8), no bairro Santa Luzia, em Caçapava, no Vale do Paraíba. O caso aconteceu por volta das 22h47, em uma residência localizada na Travessa João Borges de Siqueira.

Segundo informações registradas no boletim de ocorrência e divulgadas nesta quarta-feira (9), a vítima foi atingida por um golpe de faca na região do pescoço. Ela recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada à Fundação de Saúde e Assistência do Município (FUSAM), mas não resistiu aos ferimentos.

A investigada foi identificada como Rayara Stefani Moreira Lobato, companheira do irmão da vítima. A Polícia Civil registrou inicialmente o caso como feminicídio consumado e representou à Justiça pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi chamada inicialmente para atender uma ocorrência de briga em uma residência. A informação repassada aos policiais era de que uma das pessoas envolvidas estaria portando uma faca.

Durante o deslocamento da equipe, uma nova solicitação informou que uma pessoa havia sido ferida e apresentava intenso sangramento.

Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram Ana Carolina caída no chão, aparentemente sem movimentação e com um ferimento próximo ao pescoço. O Samu foi acionado e iniciou o atendimento, encaminhando a vítima posteriormente à FUSAM.

Apesar dos esforços da equipe médica, Ana Carolina morreu após dar entrada na unidade de saúde.

Conforme o registro policial, o episódio ocorreu durante uma discussão doméstica envolvendo Ana Carolina, o irmão dela, Leandro Augusto Moreira da Costa, e Rayara.

Ana Carolina estava temporariamente hospedada na residência do casal. Segundo o depoimento prestado pelo irmão, já haviam ocorrido discussões anteriores entre os envolvidos.

O relato de Leandro, entretanto, apresentou divergências sobre a sequência dos acontecimentos. Ele informou que a faca utilizada no episódio era empregada normalmente no preparo de alimentos e permanecia guardada em uma gaveta da cozinha. O homem não soube informar quem teria retirado o utensílio do local.

Em determinado momento, Leandro afirmou ter visto a faca nas mãos de Rayara e a irmã ferida na região do pescoço. Ele também relatou ter sofrido um ferimento na testa ao tentar intervir na situação.

A autoridade policial, porém, destacou que o depoimento não permite estabelecer, de maneira contínua e inequívoca, o momento exato em que o golpe foi desferido.

Segundo o policial responsável pelo atendimento inicial, Rayara permaneceu no imóvel depois do episódio e se apresentou aos agentes sem resistência. Por esse motivo, não houve necessidade de algemá-la.

Ainda no local, conforme o relato policial, a investigada alegou que havia agido em legítima defesa. Ela teria afirmado que ocorreu uma luta corporal entre as duas mulheres e que Ana Carolina estaria com uma faca.

Posteriormente, durante o registro da ocorrência, Rayara teria apresentado outra versão. De acordo com o policial, ela afirmou que teria intervindo na discussão para proteger o companheiro, conseguido retirar a faca que estaria com Ana Carolina e, na sequência, desferido um golpe que atingiu a região próxima ao pescoço da vítima.

O policial relatou ainda que, nessa versão, Ana Carolina teria caminhado de forma cambaleante em direção à rua depois de ser atingida.

A Polícia Civil ressalta no boletim que essas informações foram atribuídas à investigada pelo policial e não equivalem a uma confissão formal.

Durante o interrogatório na delegacia, Rayara foi informada sobre o direito constitucional de permanecer em silêncio e optou por não responder às perguntas. Segundo o registro, esse direito foi respeitado e não foi utilizado como fundamento para a prisão.

Na análise inicial do flagrante, o delegado responsável apontou que a alegação de legítima defesa ainda precisa ser esclarecida por meio da investigação.

A autoridade policial destacou que Leandro, que é irmão da vítima e companheiro da investigada, não declarou ter sido atacado por Ana Carolina nem afirmou que Rayara teria sido atacada por ela.

O delegado também considerou necessário esclarecer a versão segundo a qual Rayara teria retirado a faca das mãos da vítima antes de golpeá-la.

A autoridade observou que o eventual desarme de uma pessoa não significa, por si só, que uma situação de agressão tenha terminado, mas também não autoriza automaticamente o uso posterior da arma contra a pessoa que teria sido desarmada.

Diante dos elementos disponíveis no momento da prisão, a autoridade policial entendeu que houve uma ação atribuída à investigada que produziu o resultado morte de forma dolosa.

A classificação como feminicídio, contudo, é provisória e poderá ser alterada no decorrer do inquérito, após a realização das perícias e demais diligências, além da análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Na decisão que fundamentou a prisão em flagrante, o delegado enquadrou a ocorrência no artigo 121-A do Código Penal, que trata do feminicídio, considerando o contexto de violência doméstica e familiar.

A autoridade policial também ressaltou que o fato de a suspeita ser mulher não impede, por si só, a aplicação da qualificadora do feminicídio. O ponto central para a análise é o contexto em que o crime teria ocorrido e as circunstâncias previstas na legislação.

Neste caso, Ana Carolina era irmã do companheiro de Rayara e estava temporariamente na residência do casal. Segundo a avaliação inicial da autoridade policial, a relação familiar e a convivência entre os envolvidos integram o contexto doméstico considerado no enquadramento.

A definição jurídica definitiva, entretanto, dependerá do avanço das investigações e das decisões tomadas ao longo do processo.

Durante a ocorrência, a Polícia Civil apreendeu uma faca de cabo branco, do tipo açougueiro e sem marca aparente. O objeto foi relacionado à investigação e recebeu o lacre nº 0011842.

A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia no imóvel.

O boletim de ocorrência registra que o local sofreu alterações antes da chegada dos peritos, principalmente devido à presença de pessoas e às tentativas de conter o sangramento da vítima utilizando tecido ou peça de roupa.

Também havia chuva no momento da ocorrência, circunstância que poderá ser considerada pelos peritos durante a análise dos vestígios encontrados no imóvel e nas áreas externas.

A faca deverá passar por exames periciais. O exame necroscópico também será importante para determinar a causa da morte, as características do ferimento, sua trajetória e a eventual existência de outras lesões que possam contribuir para esclarecer a dinâmica do episódio.

Após analisar os elementos reunidos no flagrante, o delegado determinou a prisão de Rayara por feminicídio consumado e solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

Na representação, a autoridade policial citou a gravidade do caso e a utilização de uma faca contra a região cervical como elementos considerados relevantes para justificar a necessidade da manutenção da prisão.

O delegado também registrou que, até aquele momento, não haviam sido identificadas tentativa de fuga, ameaça a testemunhas ou interferência na produção das provas. A ausência de resistência à prisão e a informação de que a investigada não possuía antecedentes também foram consideradas, mas, segundo a autoridade, não seriam suficientes para afastar a necessidade da custódia cautelar.

Rayara foi encaminhada à Cadeia Pública de Caçapava, e a situação da prisão deverá ser analisada pela Justiça em audiência de custódia.

A Polícia Civil deverá realizar novas oitivas e aguardar os resultados dos exames periciais para esclarecer a dinâmica da discussão e determinar as circunstâncias exatas que levaram à morte de Ana Carolina.

Entre as diligências previstas estão exames de corpo de delito, análise da faca apreendida, exame necroscópico e avaliação dos vestígios encontrados no imóvel.

Também deverão ser analisados os registros dos acionamentos da Polícia Militar e do Samu, além de eventuais depoimentos de pessoas que possam ter presenciado a discussão ou tenham informações sobre os acontecimentos que antecederam o golpe.

Até o momento, a investigada permanece presa e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Foto: Reprodução

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