Segundo boletim de ocorrência, suspeito teria ameaçado companheira de morte, perseguido a mulher e usado veículo para atingir estabelecimento onde ela estava escondida com as duas filhas
Por Redação | Portal A Gazeta RM
Um homem identificado como Fabrício é investigado pela Polícia Civil por uma tentativa de feminicídio contra a própria companheira, registrada na tarde desta quarta-feira (7), em Cunha, no interior de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria ameaçado a mulher de morte, perseguido a vítima e utilizado um veículo para atingir duas vezes um salão de beleza onde ela havia buscado abrigo com as duas filhas pequenas.
A ocorrência foi registrada por volta das 16h, em um estabelecimento localizado na região central da cidade. Além da tentativa de feminicídio, o caso foi registrado como violência doméstica, ameaça e dano.
De acordo com o boletim, a mulher mora em Toledo (MG) e estava viajando com o companheiro, as duas filhas dela, de 4 e 5 anos, e os dois filhos adolescentes do homem. O casal estaria junto havia cerca de oito anos.
Ainda conforme o relato apresentado à polícia, o relacionamento já teria sido marcado anteriormente por episódios de agressões físicas, violência psicológica e ameaças.
Segundo o registro policial, na terça-feira (6), quando o grupo estava em Paraty (RJ), Fabrício teria consumido bebidas alcoólicas e tentado agredir a companheira.
A situação teria sido contida por pessoas que estavam no local.
Posteriormente, o casal seguiu para Cunha, onde teria se hospedado em uma pousada. Ainda segundo o boletim, o homem estaria aparentemente embriagado e alterado quando passou a fazer novas ameaças contra a companheira.
A vítima teria relatado à polícia que ouviu ameaças de morte contra ela e também contra as duas filhas. Com medo pela própria segurança e pela integridade das crianças, ela deixou a pousada e procurou ajuda em um salão de cabeleireiro localizado nas proximidades.
No estabelecimento, a mulher teria informado ao proprietário que Fabrício carregava uma tesoura presa à cintura e continuava fazendo ameaças.
Pouco tempo depois, conforme o boletim, Fabrício teria chegado ao salão e exigido que a companheira fosse retirada do local.
O proprietário teria tentado conversar com o homem e evitar uma escalada da situação. Ainda segundo o relato policial, Fabrício também teria feito ameaças contra o comerciante, afirmando que, caso a mulher não fosse colocada para fora, ele “iria ver”.
O suspeito teria dito ainda que retornaria acompanhado dos “irmãos” e alegado integrar a facção criminosa PCC.
Enquanto tentava negociar com o homem, o proprietário manteve a mulher e as duas crianças protegidas dentro do estabelecimento.
Segundo o boletim de ocorrência, após deixar o local momentaneamente, Fabrício teria entrado no veículo e acelerado contra o salão.
O automóvel atingiu a fachada do estabelecimento, provocando danos em vidraças e na porta de ferro.
Ainda de acordo com o registro policial, depois da primeira colisão, o homem teria realizado uma manobra de marcha à ré e voltado a investir contra o imóvel, atingindo outra vidraça.
A Polícia Civil registrou o episódio como tentativa de feminicídio diante das circunstâncias relatadas e da suspeita de que a ação tenha sido direcionada contra a companheira que estava escondida no estabelecimento.
Durante as colisões, a mulher permaneceu em um cômodo interno do salão com as duas filhas pequenas. As demais pessoas que estavam no local também teriam sido orientadas a procurar áreas protegidas.
Após atingir o imóvel com o veículo, Fabrício teria desembarcado carregando uma tesoura e entrado no estabelecimento à procura da companheira.
Conforme o relato registrado pela polícia, ele teria afirmado que somente deixaria o local depois de encontrar a mulher.
O proprietário continuou tentando convencê-lo a deixar o salão. Após sucessivas tentativas de negociação, o suspeito teria deixado o imóvel acompanhado dos filhos.
Antes de sair, segundo o boletim, ele teria dito ao comerciante: “olha o que você me fez fazer”.
Apesar dos danos provocados no estabelecimento e da situação de risco relatada pelas testemunhas, ninguém ficou ferido.
A Polícia Militar foi chamada depois que populares informaram que um veículo havia invadido um estabelecimento comercial na região central de Cunha.
De acordo com o registro, policiais realizavam fiscalização de trânsito na Avenida Daher Pedro quando receberam a informação e seguiram para o endereço.
No local, a equipe constatou os danos provocados na fachada e ouviu as vítimas e testemunhas. Com a identificação do suspeito e a informação de que ele havia deixado o local, os policiais realizaram buscas pelos possíveis trajetos utilizados durante a fuga.
Até o momento registrado no boletim de ocorrência, Fabrício não havia sido localizado.
O caso foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Cunha e registrado como tentativa de feminicídio, violência doméstica, ameaça e dano.
A Polícia Civil deverá dar continuidade às investigações e analisar as circunstâncias do episódio, além de reunir depoimentos, imagens e demais elementos que possam contribuir para a apuração.
A vítima foi orientada sobre os direitos previstos na Lei Maria da Penha, incluindo a possibilidade de solicitar medidas protetivas de urgência.
As informações sobre a autoria e a dinâmica dos fatos apresentadas nesta reportagem têm como base o boletim de ocorrência e os relatos registrados pela polícia. A investigação poderá esclarecer eventuais divergências e definir as responsabilidades criminais.

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