Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, foi presa em 2022 no aeroporto de Bangkok com cocaína escondida em malas; após redução da pena e benefícios concedidos pela Justiça tailandesa, ela voltou ao país e tenta reconstruir a vida ao lado da família.
Por Redação | Portal A Gazeta RM
A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, natural de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, retornou ao Brasil após cumprir pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (14) pela advogada Kaelly Cavoli Moreira, responsável pelo caso. A data exata da chegada ao país não foi divulgada.
Segundo a defesa, Mary Hellen está retomando a vida ao lado dos familiares após passar mais de quatro anos detida no país asiático. Durante o período em que permaneceu presa, ela perdeu a mãe e o avô.
O retorno encerra um período de detenção que começou em fevereiro de 2022, quando a brasileira foi presa no Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, em Bangkok, durante uma operação de fiscalização de bagagens. O caso ganhou repercussão nacional devido à quantidade de droga apreendida e ao rigor da legislação tailandesa para crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes.
Prisão ocorreu em fevereiro de 2022
Mary Hellen foi detida em 13 de fevereiro de 2022, quando tinha 21 anos, ao desembarcar na Tailândia. Ela estava acompanhada de outro brasileiro. Conforme informações divulgadas na época pelas autoridades e pela imprensa, agentes do aeroporto identificaram irregularidades durante a inspeção das bagagens por equipamentos de raio-X.
Na revista, foram encontrados aproximadamente nove quilos de cocaína escondidos em compartimentos de malas transportadas por Mary Hellen e pelo outro passageiro.
Horas depois, um terceiro brasileiro também foi preso no aeroporto. Com ele, os agentes localizaram mais 6,5 quilos de cocaína distribuídos em duas malas.
A apreensão total atribuída aos três brasileiros chegou a cerca de 15,5 quilos da droga. Na época, a carga foi avaliada em aproximadamente R$ 7,5 milhões, segundo informações divulgadas pela imprensa.
Os brasileiros haviam saído do Brasil pelo Aeroporto de Curitiba, no Paraná, antes de seguirem viagem para o território tailandês.
Justiça tailandesa condenou brasileira a nove anos e seis meses
Em maio de 2022, Mary Hellen foi condenada a nove anos e seis meses de prisão por crimes relacionados ao tráfico de drogas. A sentença também estabeleceu uma multa de 750 mil bahts, moeda tailandesa, cujo valor foi estimado na época em cerca de R$ 105 mil.
A pena foi posteriormente alterada por benefícios concedidos durante o cumprimento da sentença. Em maio de 2024, a imprensa brasileira noticiou que a brasileira havia recebido um perdão real relacionado à multa, ficando dispensada do pagamento.
O benefício não significou, naquele momento, o encerramento imediato da pena de prisão. A condenação privativa de liberdade continuou em vigor, mas reduções e benefícios posteriores contribuíram para diminuir o período de detenção.
Segundo informações divulgadas pela defesa em 2026, Mary Hellen também obteve redução de pena associada ao comportamento no sistema prisional e a outros mecanismos previstos pelas autoridades tailandesas.
A conclusão do cumprimento da sentença permitiu seu retorno ao Brasil.
Defesa relatou dificuldades para manter contato
Nos primeiros meses de 2026, a defesa de Mary Hellen relatou dificuldades para obter informações atualizadas sobre a situação da brasileira na prisão e para manter contato regular com ela.
Em abril, a advogada afirmou que a comunicação, anteriormente realizada por chamadas de vídeo com intermediação da representação diplomática brasileira, havia sido prejudicada. A equipe jurídica também mencionou obstáculos no relacionamento com a Embaixada do Brasil em Bangkok.
Diante das dificuldades, a defesa buscou alternativas para acompanhar a situação prisional e os procedimentos necessários à conclusão da pena.
Ao confirmar o retorno da brasileira, a advogada afirmou que a equipe jurídica ofereceu o suporte possível durante o período de detenção. A defesa também criticou a assistência consular recebida, avaliação que foi contestada pelo posicionamento oficial do governo brasileiro.
Itamaraty afirma que prestou assistência consular
O Ministério das Relações Exteriores informou, em manifestações anteriores sobre o caso, que a Embaixada do Brasil em Bangkok acompanhava a situação de Mary Hellen desde 2022 e prestava assistência consular.
Esse tipo de atendimento pode incluir contato com autoridades locais, visitas consulares e orientações relacionadas às condições de detenção, respeitando os limites da atuação diplomática e a legislação do país onde o brasileiro está preso.
O Itamaraty também ressaltou, em informações divulgadas à imprensa, que a assistência consular não substitui a atuação de advogados no processo criminal estrangeiro e que o atendimento deve observar as normas aplicáveis e a privacidade da pessoa assistida.
A divergência entre a avaliação da defesa e a posição oficial do governo marcou parte do acompanhamento público do caso durante os últimos meses de prisão.
Caso teve repercussão nacional pelo rigor das leis tailandesas
A prisão de Mary Hellen chamou a atenção no Brasil porque ocorreu na Tailândia, país conhecido por aplicar penas severas a crimes relacionados ao tráfico de drogas.
Na época da detenção, familiares e representantes da defesa demonstraram preocupação com as possíveis consequências jurídicas. A legislação tailandesa prevê punições rigorosas para determinados delitos relacionados a entorpecentes, embora a pena aplicável dependa das circunstâncias e do enquadramento jurídico de cada caso.
A repercussão também foi ampliada pela apreensão de 15,5 quilos de cocaína envolvendo os três brasileiros e pelas notícias sobre as condições do sistema prisional no país asiático.
Ao longo dos anos, a defesa acompanhou os pedidos de redução da pena e os benefícios concedidos pelas autoridades locais até a conclusão do período de detenção.
Retorno marca nova etapa ao lado da família
De acordo com a advogada, Mary Hellen agora procura reconstruir a vida no Brasil, próxima dos familiares. Durante os anos em que esteve presa, ela enfrentou também perdas pessoais, com as mortes da mãe e do avô.
O retorno ao país encerra a etapa de cumprimento da pena na Tailândia, mas representa uma mudança importante na vida pessoal da brasileira, que permaneceu afastada da família desde 2022.
A defesa não divulgou a data exata da chegada nem detalhes sobre os planos pessoais de Mary Hellen após o retorno.
Foto: Reprodução





