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Arraial Surreal encanta ruas de Cunha, SP com casamento de seres fantásticos e reverencia tradição regional em máscaras artesanais

5ª edição do cortejo abre mês do folclore, dia 1° (sáb.), com apoios ProAC e APAA; intuito é avivar cultura e democratizar acesso à arte; participam grupos de São José dos Campos, Jacareí e Paraty 

Por Isabela Rosemback

Prepare-se para embarcar, neste 1º de agosto (sáb.), em um sonho coletivo onde a realidade é lúdica e visualmente fora do padrão, com seres extraordinários que colorem o centro de Cunha (222 km de São Paulo) em irreverente cortejo musicado que valoriza a cultura do Vale do Paraíba por meio de máscaras artesanais inspiradas em expressões populares e chamamento à brincadeira de rua! Abrindo o mês do folclore, esta é, sim, uma festa junina fora de época, em Estância Climática entre serras SP-RJ (destino turístico em plena temporada de inverno), mas com diferencial fantástico: trata-se do ARRAIAL SURREAL, uma reverência às tradições da cultura local que, em quinta edição, desfila entre praças com narrativa cênica inédita, tradução em Libras, charanga, parcerias criativas (de Jacareí, São José dos Campos e Paraty) e muita troca intergeracional e analógica das 9h30 às 18h!

O Arraial Surreal é uma performance artística criada pelo Ponto de Cultura Cuás (Ateliê Escola Livre de Arte) e que vem crescendo ao longo dos anos sem se propor a ser atração turística, mas, sim, disposta a reunir moradores e visitantes da cidade em um encontro genuíno com a história, as lendas e as personalidades, fauna e flora de seu entorno. 

O objetivo é ocupar o espaço público, dar protagonismo a alunos de suas oficinas e inspirar a criação de arte aliando herança cultural e contemporaneidade em ambiente democrático e acolhedor. Para isso, promove um divertido casório cheio de reviravoltas entre personagens.
Lunática, Xé Bobo, Bardoso, Risadinha e outros seres criados pela população em homenagem ao cotidiano e à história de Cunha são alguns dos que puxam a comitiva.

A saída está marcada para as 14h30, da Praça do Rosário, onde haverá concentração às 13h30 e ato cênico de abertura às 14h. Após parada na Praça da Matriz, para o anunciado matrimônio, a [nada convencional] noiva segue em comitiva, joga o buquê e faz festa às 17h30 no Parque Lavapés, encerrando o desfile de máscaras perto das 18h.


“É um casamento de culturas, este ano. Um chamado a sonharmos juntos, convidando também outros coletivos a brincarem conosco!”, diz Sé Cordeiro, fundador da Cuás e do cortejo. “Um ato afetivo e conjunto que cria oportunidades a jovens, abraça outras gerações, movimenta a economia e celebra nossa comunidade com a nova tradição de fazer máscaras com estética própria, recuperando hábitos e história locais.”

O cortejo do dia 1º é apresentado por seus criadores como um brinquedo cultural, “pois não se trata apenas de produzir e vestir máscaras; há também um jogo corporal que lhe dá vida, promove encantamento e convida o público a interagir, brincar sem amarras”, diz Giedre Aguirra, produtora da iniciativa com Juliana Moore, artistas sócias de Cordeiro na Cuás.

O Arraial Surreal integra, neste ano, o projeto “Cuás: Máscaras e Oficinas no Vale do Paraíba”, que contempla oficinas de máscaras e de brinquedoria descentralizadas (incluindo as cidades vizinhas Lagoinha e São Luiz do Paraitinga) e se estende ao final do ano, quando haverá exposição de artes de alunos e lançamento de documentário com tradução em Libras e audiodescrição. O apoio é da APAA (Associação Paulista Amigos da Arte) e do ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Governo do Estado de São Paulo.
VIDAS SURREAIS 

Ari Pereira, artista popular e multi-instrumentista convidado para ministrar as oficinas de brinquedoria, explica o conceito: “Propomos dinâmicas para os brincantes darem vida aos seres surreais das máscaras que criaram. É espaço para cantar, dançar; descobrir corpo e voz a serem emprestados ao personagem a partir de um repertório da cultura popular brasileira que inclui expressões de coco, moçambique, bumba meu boi e outras tradições”.

Muitos destes personagens são a materialização, em papel e tinta, do imaginário desenvolvido a partir de curiosidades da cultura local. Brincadeira, esta, que começou com oito integrantes vivendo o delírio de um cortejo, em 2022, e agora toma corpo com público superior a 500 pessoas, como estimado na última edição. Personalidades locais, animais e plantas da região não param de surgir: já são mais de cem mascarados colorindo as ruas!

IDEIAS INÉDITAS E ACESSIBILIDADE
O Arraial Surreal deste ano reserva novidades, a começar pela trilha sonora autoral desenvolvida pelos organizadores, com arranjos de Ari Pereira. Ela será executada pelo grupo de sopro e percussão Charanga da Folia, de São José dos Campos.

A condução do cortejo também será diferente, desta vez com um ato cênico de abertura nomeado “Causo Fundante”. Como convidado deste enredo inédito, desenvolvido pela Cuás, participa o coletivo Boi de Pano Parati. “Será nossa primeira vez no Arraial, mas já saímos juntos em Paraty, em um cortejo de casamento encenado por eles com o Mestre Jubileu, aqui da cidade”, conta Roberta Oliveira, diretora musical do grupo.

Antes de tudo, logo às 9h30, quem enfeita a praça do Rosário para todo o festejo é o próprio público, convidado a interagir com a intervenção artística da parceria entre Estúdio Antúrio (Jacareí) e Coletivo Gostaríamos (São José dos Campos), amigos da Cuás. 

“Levaremos a base do nosso projeto São João do Infinito a Cunha, reforçando a ideia de mutirão pela preservação da cultura popular: na praça, hastearemos mastro com varais de bandeirinhas em releitura às tradições rurais juninas. A pintura dele será coletiva, e as pessoas escreverão desejos em fitinhas, para oferenda simbólica que dialoga com o tema do Arraial Surreal deste ano: sonhar junto”, diz Douglas Reis, cofundador da Antúrios.

Todo o ato cênico e musical do cortejo será narrado simultaneamente, pela primeira vez na história da festa, em Libras. “Levar esse conteúdo para a comunidade surda é fantástico! E não é só o enredo, mas também a história de cada máscara que estaremos compartilhando. Todos deveriam participar”, diz Marta Paiva, a tradutora e intérprete do projeto.


SERVIÇO – ARRAIAL SURREAL (CUNHA/SP)
Dia 01/08 (sáb.), com saída da praça do Rosário. Atividades a partir das 9h30, com adorno coletivo da praça e levantamento do mastro de São João do Infinito. Concentração do cortejo às 13h30, ato cênico às 14h e saída às 14h30 (itinerário passa pela rua Dr. Casemiro das Rochas, tem parada na praça da Matriz e encerramento no Parque Lavapés, às 18h). Gratuito, com arrecadação voluntária de alimentos não perecíveis a instituições locais em ponto de doação na praça do Rosário. Sem área restrita ou retirada de ingressos. Classificação etária livre. Comércio local.

Sobre Cunha
Cunha tem 302 anos de fundação e é Estância Climática paulista localizada a 45 km de Paraty (RJ). Ela fica entre as serras do Mar, da Bocaina e da Quebra-Cangalha. Tem no turismo (além da pecuária) uma das principais atividades econômicas, com artesanato e produção de artes em cerâmica destacados entre seus atrativos. Preserva ar interiorano com festas das mais diversas, além das religiosas, que contam com ampla participação de seus modestos 22.110 habitantes (IBGE Censo 2022) —apesar da vasta extensão territorial (1.410 km², 11ª maior cidade do estado e a maior do Vale do Paraíba Paulista). Seus pontos mais altos são o Pico da Pedra da Macela, com 1.840 metros, e o Pico do Cume, com 1.630 metros.

Sobre o Cuás
Ateliê-Escola Livre de Arte e Cultura sediado em Cunha-SP desde 2022. Contempla cursos livres, oficinas, residências artísticas e eventos culturais para crianças, jovens e adultos. Idealizado pelo artista e arte-educador Sé Cordeiro, tem missão de democratizar acesso à arte, compartilhar conhecimento, desenvolver talentos e formar artistas e agentes culturais visando transformação social. Em 2025, realizou apresentações na Mostra Sesc Cariri de Culturas (Crato e Juazeiro-CE), cortejo e oficina no Festival Mutuá de Culturas Populares do Sesc Paraty-RJ, e ocupação artística no Carnaval do Sesc São José dos Campos. No Carnaval de 2026, esteve no Sesc Consolação (São Paulo-SP) com residência artística de máscaras surreais para crianças, jovens e adultos e minicortejo. Criou o Arraial Surreal, cortejo anual em Cunha que neste ano chega à 5ª edição.

Sobre o coletivo
Gostaríamos
A Gostaríamos de Explicar Muitos Atos é um Ponto de Cultura certificado pelo MinC que atua na produção, formação e difusão artística. Desde 2020, constrói espaço de criação em São José dos Campos, onde artistas compartilham pesquisas, desenvolvem projetos e fortalecem redes de apoio. Pauta-se na cultura como prática coletiva, territorial e em constante movimento, capaz de fortalecer vínculos, ampliar acessos à arte e estimular troca de saberes entre comunidades.

Sobre o ateliê Antúrio
Fundado pelos artistas visuais Douglas Reis e Isabella Siqueira, em Jacareí, desenvolve pinturas, murais, exposições e projetos culturais que investigam as relações entre arte, memória e território, criando narrativas visuais inspiradas nas paisagens, nos afetos e nas expressões simbólicas do interior do Brasil, valorizando o universo rural e a cultura caipira.

Sobre o coletivo
Boi de Pano Parati
Nascido do encontro entre a brincadeira do Boi de Paraty e o Polo Sociocultural Sesc Paraty, dá protagonismo a mestres cirandeiros e mascareiros na ação patrimonial de revitalizar o Boi de Pano, cuja existência remonta a quatro décadas. Objetiva promover a continuidade da tradição do brinquedo em trocas com outros territórios.

Fotos: Patrícia Schussel


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