Medicamentos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda estão entre os mais conhecidos; valores podem ultrapassar R$ 1 mil por mês, dependendo da apresentação e da dose
Por Redação | Portal A Gazeta RM
As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam espaço no mercado brasileiro nos últimos anos, impulsionadas pela procura por tratamentos contra a obesidade e pelo avanço de medicamentos utilizados no controle do diabetes tipo 2.
Apesar de muitas vezes serem colocados no mesmo grupo, os medicamentos possuem princípios ativos, indicações, dosagens e registros diferentes. Alguns são destinados ao tratamento do diabetes, enquanto outros possuem indicação aprovada para o controle crônico do peso.
Entre os nomes mais conhecidos estão Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda e Trulicity, além de diferentes tipos de insulina administrados por meio de canetas.
Os preços também variam bastante. Dependendo do medicamento, da dose e da apresentação, uma embalagem pode custar de algumas centenas de reais a mais de R$ 1 mil.
Quais são as principais canetas disponíveis?
Ozempic — semaglutida
O Ozempic, fabricado pela Novo Nordisk, contém semaglutida e tem indicação aprovada para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, associado a dieta e exercícios.
O medicamento ficou conhecido também pelo efeito de redução de peso observado em pacientes, mas é importante destacar que Ozempic não deve ser confundido com Wegovy, que possui indicação específica para controle do peso.
Faixa de preço estimada: aproximadamente R$ 900 a R$ 1.300 por embalagem, dependendo da apresentação, dose, estabelecimento e descontos.
O custo mensal pode variar conforme a dose utilizada pelo paciente.
Wegovy — semaglutida
Também produzido à base de semaglutida, o Wegovy possui indicação para o controle crônico do peso, dentro dos critérios estabelecidos em sua bula.
O tratamento é destinado a pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a determinadas condições de saúde, conforme avaliação médica.
Faixa de preço estimada: aproximadamente R$ 1.000 a R$ 1.500 por embalagem, dependendo da dose e da farmácia.
Como o tratamento utiliza diferentes doses durante sua evolução, o gasto mensal pode mudar ao longo do tempo.
Mounjaro — tirzepatida
O Mounjaro, da Eli Lilly, contém tirzepatida, medicamento que atua sobre os receptores dos hormônios GIP e GLP-1.
No Brasil, o medicamento foi inicialmente registrado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2, associado a dieta e atividade física.
A tirzepatida ganhou grande repercussão devido à redução da glicemia e também à perda de peso observada durante os estudos clínicos.
Faixa de preço estimada: aproximadamente R$ 1.000 a R$ 1.500 por embalagem, variando conforme a dose, apresentação e descontos disponíveis.
Saxenda — liraglutida
O Saxenda utiliza liraglutida e possui indicação para o controle crônico do peso, dentro dos critérios médicos estabelecidos.
Diferentemente de alguns medicamentos mais novos, a aplicação do Saxenda é feita diariamente, o que também influencia o consumo e o custo do tratamento.
Faixa de preço estimada: aproximadamente R$ 600 a R$ 900 por embalagem.
O gasto mensal dependerá da dose prescrita e da quantidade utilizada.
Trulicity — dulaglutida
O Trulicity contém dulaglutida e é utilizado no tratamento do diabetes tipo 2.
O medicamento é administrado por meio de caneta de aplicação e possui esquema de utilização diferente de medicamentos como Saxenda e Victoza.
Faixa de preço estimada: aproximadamente R$ 700 a R$ 1.000 por embalagem, podendo haver diferenças importantes entre farmácias e apresentações.
E as canetas de insulina?
Além dos medicamentos mais conhecidos como “canetas para emagrecimento”, existem diversas canetas de insulina utilizadas por pessoas com diabetes.
Entre elas estão diferentes tipos de insulina de ação rápida, intermediária e prolongada. Os preços dependem do princípio ativo, fabricante e quantidade de unidades da embalagem.
Em linhas gerais, uma caneta ou embalagem de insulina pode custar aproximadamente R$ 50 a mais de R$ 400, dependendo do produto e da apresentação.
É importante destacar que insulina e medicamentos como semaglutida ou tirzepatida não são equivalentes e possuem finalidades terapêuticas diferentes.
Estimativa de preços
Os valores abaixo servem apenas como referência e podem mudar de acordo com a região e a farmácia:
| Medicamento | Princípio ativo | Principal indicação | Faixa de preço estimada |
|---|---|---|---|
| Ozempic | Semaglutida | Diabetes tipo 2 | R$ 900 a R$ 1.300 |
| Wegovy | Semaglutida | Controle do peso | R$ 1.000 a R$ 1.500 |
| Mounjaro | Tirzepatida | Diabetes tipo 2 | R$ 1.000 a R$ 1.500 |
| Saxenda | Liraglutida | Controle do peso | R$ 600 a R$ 900 |
| Trulicity | Dulaglutida | Diabetes tipo 2 | R$ 700 a R$ 1.000 |
| Victoza | Liraglutida | Diabetes tipo 2 | R$ 600 a R$ 900 |
| Canetas de insulina | Diferentes tipos de insulina | Diabetes | R$ 50 a R$ 400+ |
Valores estimados: os preços são aproximados e podem variar conforme apresentação, dosagem, localização, farmácia, programas de desconto e disponibilidade. A embalagem também não representa necessariamente o custo mensal do tratamento.
Por que os preços são tão diferentes?
Um dos principais motivos é a diferença entre os medicamentos e suas apresentações.
Uma embalagem pode conter quantidade suficiente para algumas semanas, enquanto outra pode ter duração diferente. Além disso, determinados tratamentos começam com doses menores e avançam gradualmente, conforme a avaliação do médico.
Por isso, comparar apenas o preço de uma caixa pode levar a uma conclusão equivocada sobre o custo total do tratamento.
Outro fator são os programas de desconto oferecidos pelos próprios fabricantes e pelas redes de farmácias. O valor final pago pelo consumidor pode ser inferior ao preço de tabela em determinadas situações.
Medicamentos não são iguais
Apesar de frequentemente serem chamados de “canetas emagrecedoras”, semaglutida, liraglutida, tirzepatida, dulaglutida e insulina são substâncias diferentes.
A semaglutida e a liraglutida pertencem ao grupo dos medicamentos que atuam sobre o receptor de GLP-1. Já a tirzepatida atua sobre os receptores de GIP e GLP-1.
Essas diferenças influenciam a dose, a frequência das aplicações, os efeitos esperados e as possíveis reações adversas.
Por isso, a escolha do medicamento não deve ser feita apenas com base no preço ou na popularidade nas redes sociais.
Quem pode usar?
A indicação depende de avaliação médica.
No caso dos medicamentos destinados ao controle do peso, a utilização é baseada em critérios clínicos, como índice de massa corporal (IMC), presença de doenças associadas e histórico de saúde.
Para pessoas com diabetes, a escolha do tratamento considera o tipo de diabetes, controle da glicemia, outros medicamentos utilizados e condições de saúde.
O uso por conta própria pode provocar efeitos adversos e também atrasar o diagnóstico ou tratamento adequado de outras doenças.
Efeitos colaterais exigem atenção
Medicamentos dessa classe podem provocar efeitos como náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal e redução do apetite.
A intensidade varia de pessoa para pessoa e pode mudar conforme a dose.
Sintomas persistentes ou intensos devem ser comunicados ao profissional responsável pelo tratamento.
Também é importante seguir corretamente as orientações de armazenamento e aplicação. Medicamentos injetáveis que necessitam de refrigeração podem perder suas características quando armazenados de maneira inadequada.
Anvisa reforça controle sobre medicamentos
Com o crescimento da procura pelas chamadas canetas para diabetes e obesidade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem adotando medidas para ampliar o controle sobre a prescrição e a dispensação desses medicamentos.
A agência também alerta para os riscos relacionados à compra de medicamentos de procedência desconhecida.
A recomendação é adquirir os produtos somente em estabelecimentos autorizados e conferir a embalagem, o registro sanitário e as condições de armazenamento.
Também é fundamental evitar produtos vendidos pelas redes sociais ou por vendedores sem autorização.
Tratamento não se resume ao medicamento
Especialistas destacam que o tratamento da obesidade e do diabetes não deve ser baseado exclusivamente em medicamentos.
Alimentação adequada, atividade física, acompanhamento médico e, quando necessário, acompanhamento com outros profissionais de saúde fazem parte da abordagem individualizada.
No caso da obesidade, o tratamento pode ser de longo prazo. A interrupção do medicamento sem orientação também pode levar ao retorno do peso em determinadas situações.
Atenção às chamadas “canetas milagrosas”
A popularização desses medicamentos também aumentou a quantidade de anúncios prometendo perda rápida de peso, resultados garantidos ou medicamentos sem necessidade de acompanhamento profissional.
Essas promessas devem ser vistas com cautela.
Não existe medicamento que seja indicado para todas as pessoas. O que funciona para um paciente pode ser inadequado ou até contraindicado para outro.
Além disso, medicamentos falsificados ou armazenados de maneira incorreta podem oferecer riscos à saúde.
Onde consultar informações oficiais?
Antes de iniciar qualquer tratamento, o paciente deve consultar um profissional de saúde e conferir as informações oficiais do medicamento.
A Anvisa disponibiliza informações sobre medicamentos registrados no Brasil, enquanto as bulas aprovadas apresentam indicações, contraindicações, doses, efeitos adversos e orientações de uso.
Os preços também devem ser consultados diretamente nas farmácias, pois podem sofrer alterações.
Em resumo
As chamadas canetas para diabetes e obesidade representam uma das áreas que mais cresceram no mercado de medicamentos nos últimos anos. Entre os produtos mais conhecidos estão Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda, Trulicity e Victoza, além de diversas canetas de insulina.
Os preços estimados podem variar de cerca de R$ 600 a mais de R$ 1.500 por embalagem nos principais medicamentos citados, enquanto algumas apresentações de insulina possuem valores menores.
Entretanto, preço, indicação e dose não devem ser analisados isoladamente. A utilização precisa seguir avaliação médica, prescrição e as informações da bula aprovada pela Anvisa.
Os valores apresentados nesta reportagem são estimativas e não constituem cotação oficial. Os preços podem variar conforme a apresentação, dose, região, farmácia e descontos disponíveis.





