Por Redação | Porta A Gazeta RM
Uma criança de dois anos, moradora do bairro Parque Primavera, em Cruzeiro (SP), encontra-se internada em estado gravíssimo no Hospital Regional de São José dos Campos (SP), sob suspeita de maus-tratos. Segundo a polícia, a mãe e o padrasto são investigados.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na noite de terça-feira (9), a equipe médica do hospital comunicou à Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM) que a menina deu entrada com vários hematomas e lesões pelo corpo — circunstâncias que levantaram suspeitas de agressão física, e não de um acidente doméstico.
Até então, a mãe havia informado que a criança teria sofrido uma queda enquanto estava sob os cuidados do padrasto. No entanto, os profissionais entendem que os ferimentos são “incompatíveis com uma queda acidental”. Segundo o documento, foram constatadas marcas disseminadas no corpo da menina, incluindo uma lesão na coxa com contorno compatível com uma mão, além de hematomas e ferimentos na cabeça em extensão considerada incompatível com queda de pequena altura.
Com o quadro de saúde classificado como gravíssimo, há suspeita de morte encefálica. Por esse motivo, os médicos pretendem aplicar o protocolo de confirmação ou descarte desse diagnóstico. A criança será submetida a exames periciais no Instituto Médico Legal de São José dos Campos (IML), com o objetivo de esclarecer a origem dos ferimentos.
O caso foi registrado como crime de maus-tratos contra criança — mãe identificada como K.P., de 28 anos, e padrasto identificado como N.G., de 27 anos, são investigados. A Polícia Civil de São Paulo (PC) realiza diligências para localizar os dois e colher depoimentos que ajudem a esclarecer as circunstâncias.
A secretaria de segurança, por meio da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), confirmou que o hospital acionou a polícia diante da gravidade das lesões e da possibilidade de violência doméstica.
Até o momento, não há nova atualização pública sobre o estado de saúde da criança ou sobre a localização dos investigados.
Embora não haja confirmação pública de casos idênticos recentes em Cruzeiro, a região do Vale do Paraíba — à qual pertence Cruzeiro/São José dos Campos — tem enfrentado um cenário alarmante no que se refere à violência contra crianças e adolescentes. Entre janeiro e julho de 2025, a região registrou um número recorde de casos de “estupro de vulnerável” — com 370 ocorrências nesse período, segundo dados divulgados pela SSP.
Casos de maus-tratos também têm sido investigados com frequência, reforçando a importância da atuação de hospitais, polícia, conselhos tutelares e da sociedade em geral para denunciar e prevenir violência contra crianças. A mobilização dos órgãos de proteção infantil e a visibilidade desse tipo de denúncia são fundamentais para evitar novas tragédias.
O que se espera das investigações
– A perícia do IML deverá apontar se as lesões têm origem em agressão;
– A PC deve localizar e ouvir mãe e padrasto, para obter relatos e confrontá-los com o laudo médico;
– Se comprovada a agressão, o caso deverá seguir para processo criminal com base na legislação que pune maus-tratos a menores;
– Poderão ser acionados conselhos de assistência social e de proteção à infância, para avaliação do contexto familiar e eventual proteção de outros menores da família.
Foto: Divulgação/Hospital Regional de São José dos Campos




