Por Priscylla Venenosa
Na cidade de Curva de Rio, no famoso Vale das Pamonhas, a política atingiu um novo patamar de eficiência: ninguém resolve nada, mas todo mundo aplaude.
A Câmara de Vereadores funciona como um grande teatro. Não importa o problema, o roteiro já está pronto. Abriu um buraco na rua principal? Voto de aplauso pela “nova oportunidade de ventilação urbana”. Fechou uma loja? Aplausos pela “modernização do comércio local”. Morreu uma gazela que ninguém sabia de onde veio? Aplausos pela “contribuição ecológica inesperada”.
E quando aparece um pastor então, é sessão solene na hora. Se o pastor ainda for pai de um pirralho ranheto que anda pela cidade com pose de autoridade, melhor ainda. Voto de aplauso em dobro, com direito a discurso emocionado e foto para a campanha.
Enquanto isso, a cidade segue um espetáculo à parte. Falta tudo até a vergonha. Mas aplauso não falta. Disso Curva de Rio está muito bem abastecida.
Os vereadores já entenderam o segredo da reeleição: não precisa projeto, não precisa obra, não precisa resultado. Basta distribuir aplausos como quem joga confete em carnaval. Quanto mais gente aplaudida, mais gente feliz. E gente feliz, acreditam eles, vota.
No fim das contas, Curva de Rio virou um lugar curioso. Um buraco aqui, outro ali, serviços que não funcionam, promessas que evaporam. Mas, se você prestar atenção, vai ouvir ao fundo um som constante.
Palmas.
Sempre palmas.




