Crime ocorrido em 2023 chocou o Vale Histórico após falsa denúncia de sequestro feita pelo próprio acusado
Por Redação | Porta A Gazeta RM
A Justiça condenou a 21 anos e 1 mês de prisão, em regime inicial fechado, o homem acusado de matar a própria filha, uma bebê de apenas sete meses, em São José do Barreiro, no Vale Histórico paulista. A sentença foi proferida na terça-feira (10) pela Vara Única da Comarca de Bananal, após julgamento pelo Tribunal do Júri.
O réu foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. Na decisão, os jurados reconheceram agravantes como motivo fútil, emprego de meio cruel e o fato de o crime ter sido cometido contra uma vítima menor de 14 anos, além de ter sido praticado pelo próprio pai da criança.
De acordo com a sentença, a pena fixada foi de 21 anos de reclusão, além de um mês de detenção e pagamento de multa. A Justiça também determinou a manutenção da prisão preventiva do condenado, que permanecerá preso para cumprir a pena.
Crime causou forte repercussão na região
O caso ocorreu em março de 2023 e provocou grande repercussão em cidades do Vale do Paraíba e do Vale Histórico pela gravidade dos fatos.
Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o pai matou a filha na residência da família, localizada na zona rural de São José do Barreiro. Após o crime, ele enterrou o corpo da bebê no quintal da casa, na região da Fazenda Capoeirinha.
No dia seguinte ao assassinato, o homem e a companheira procuraram a Delegacia de Polícia da cidade para registrar um boletim de ocorrência afirmando que a criança havia sido sequestrada.
Falsa versão levantou suspeitas
De acordo com o relato apresentado inicialmente às autoridades, o casal caminhava por uma estrada de terra na zona rural quando teria sido abordado por dois homens em um veículo. Ainda segundo a versão apresentada, os supostos criminosos anunciaram um assalto e, como o casal não possuía dinheiro ou objetos de valor, teriam levado a bebê. ()
Durante os depoimentos, porém, os policiais civis perceberam inconsistências na história relatada. Diante das contradições, os investigadores intensificaram os questionamentos e a versão apresentada começou a se desfazer.
Após novas diligências e confrontos de informações, o casal acabou confessando que o sequestro nunca ocorreu.
Corpo foi encontrado enterrado no quintal
Com a confissão, os policiais foram até a residência onde a família morava, localizada em uma área rural do município. No local, o corpo da bebê foi encontrado enterrado no quintal do imóvel.
Segundo o depoimento prestado pela mãe da criança durante a investigação, ela estava tomando banho na noite do crime quando ouviu um barulho no quarto. Ao sair do banheiro, teria visto o companheiro arremessar a bebê contra um colchão.
Em seguida, ela relatou ter encontrado a cabeceira de madeira da cama sobre a cabeça da criança e percebeu que a filha já estava sem vida.
De acordo com o relato apresentado à polícia, após a morte da bebê o próprio pai sugeriu ocultar o crime. O casal teria então cavado um buraco no terreno da casa para enterrar o corpo e, na manhã seguinte, procurado a delegacia para registrar a falsa denúncia de sequestro.
A investigação conduzida pela Polícia Civil reuniu provas e depoimentos que permitiram reconstruir a dinâmica dos fatos e responsabilizar criminalmente o acusado.
Com a conclusão do julgamento, a condenação encerra uma das etapas judiciais de um caso que gerou indignação e marcou profundamente a comunidade de São José do Barreiro e cidades da região.
Foto: Reprodução




