Uma sátira política sobre promessas, redes sociais e uma cidade que nunca sai do lugar
Por Priscylla Venenosa
No coração do imaginário Vale das Pamonhas, uma pequena e bucólica cidade parecia viver em ritmo lento — mas apenas na aparência. Nos bastidores da política local, o enredo era digno de novela, com personagens curiosos e situações, no mínimo, pitorescas.
Tudo começou quando o então prefeito, conhecido popularmente como Cabeça de Ovo, assumiu o comando da cidade prometendo ser a “salvação da lavoura seca”. O discurso era bonito, cheio de esperança, e conquistou boa parte da população. O problema é que, com o passar do tempo, a tal salvação parecia mais um miragem no meio do sertão.
A administração, segundo os comentários que ecoavam pelas esquinas e padarias, era considerada fraca e cercada por aliados fiéis — ou, como diziam os mais críticos, “bem protegida pelos comparsas”. Ainda assim, o prefeito seguia firme, como se nada estivesse acontecendo.
Foi então que entrou em cena o seu fiel escudeiro: o vice-prefeito, apelidado de Carrapato. Disposto a defender o chefe a qualquer custo, ele resolveu usar as redes sociais como palanque. Em vídeos improvisados, gravados com entusiasmo e pouca técnica, Carrapato afirmava que todas as críticas ao governo eram “mentira” e “intriga da oposição”.
Enquanto isso, nas famosas rodas de fofoca organizadas pelo ex-prefeito Galinho da Lau, o clima era outro. Entre um café e outro, os comentários eram de que Carrapato não tinha grupo político sólido e estaria “entrando numa roubada” ao defender Cabeça de Ovo com tanta convicção.
— “Isso aí vai sobrar pra ele”, cochichavam alguns.
Com o tempo, a população começou a perceber que a tal “salvação” prometida não chegava. Pelo contrário, surgiam sinais de que a cidade caminhava para repetir erros do passado. Havia quem dissesse que a administração estava virando novamente um verdadeiro “poleiro de empregos”, expressão usada para descrever a distribuição de cargos sem muito critério técnico.
Carrapato, por sua vez, seguia firme nas redes, tentando mostrar uma cidade que poucos reconheciam. Em seus vídeos, tudo parecia sob controle: ruas organizadas, serviços funcionando, gestão eficiente. Mas, fora da tela, a percepção era bem diferente.
Faltava, segundo muitos moradores, um prefeito com pulso firme — alguém que realmente assumisse as rédeas da situação.
E assim, entre promessas não cumpridas, vídeos otimistas e críticas cada vez mais frequentes, o Vale das Pamonhas seguia sua rotina peculiar. Alguns já diziam, com certo humor amargo, que se nada mudasse, a cidade corria o risco de “afundar de vez” — especialmente considerando que, no passado, segundo os mais antigos, Galinho da Lau já teria deixado a situação em estado delicado.
No fim das contas, a história do Cabeça de Ovo e do Carrapato virou mais um capítulo das curiosas narrativas políticas do interior — daquelas que misturam realidade e exagero, crítica e humor, e que sempre rendem boas conversas… principalmente nas rodas de fofoca.
Foto: IA




