Investigação da Operação Unha e Carne apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com agentes públicos; Justiça determinou bloqueio de até R$ 22 milhões em bens e valores
Por Redação | Portal A Gazeta RM
A prisão do pastor Márcio Poncio, realizada na manhã desta quinta-feira (2), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), repercutiu no Centro-Sul Fluminense, especialmente nos municípios de Três Rios, Paraíba do Sul e Comendador Levy Gasparian, onde o líder religioso vinha participando de encontros e articulações políticas nos últimos meses.
Além de sua atuação religiosa, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (RJ). Nos últimos meses, ele esteve presente em reuniões com lideranças políticas da região, participando de articulações voltadas ao fortalecimento de projetos para as eleições de 2026.
A prisão ocorreu em um momento de intensa movimentação política na região, surpreendendo apoiadores e integrantes do grupo ligado ao pastor. Até o momento, não há informações oficiais sobre possíveis impactos da operação nas articulações políticas ou em eventuais pré-candidaturas relacionadas ao grupo.
Operação autorizada pelo STF
A quinta fase da Operação Unha e Carne foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além do mandado de prisão contra Márcio Poncio, a decisão judicial também determinou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Federal, esta etapa da investigação busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro e de possíveis vínculos do esquema investigado com agentes públicos dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Márcio Poncio foi preso em um flat localizado na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense. Outros investigados também foram alvos das medidas judiciais.
Bloqueio de bens
A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões, medida que tem como objetivo assegurar eventual reparação de danos e impedir a movimentação de recursos relacionados aos fatos investigados.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações tiveram origem em uma operação realizada em 2021, quando foram apreendidos documentos, planilhas e outros materiais que apontariam movimentações financeiras consideradas suspeitas. A análise desse material deu continuidade às investigações e subsidiou as medidas cumpridas nesta nova fase da operação.
Defesa
Em nota encaminhada à imprensa, o advogado de Márcio Poncio informou que a defesa ainda não teve acesso aos autos do processo e, por esse motivo, não irá se manifestar sobre o mérito das investigações neste momento.
A Polícia Federal informou que as apurações continuam para esclarecer a participação dos investigados e identificar a eventual atuação de outras pessoas no esquema. O caso segue sob sigilo judicial, e os investigados terão assegurados os direitos ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento do processo.
Foto: Divulgação





