Operação “Apertem os Cintos” detém comandante de 60 anos dentro de avião em Congonhas e duas mulheres, com investigação apontando uma rede criminosa estruturada
Por Redação | Porta A Gazeta RM
A Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu na manhã desta segunda-feira (9) um piloto de avião durante uma operação que investiga exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação, denominada Operação “Apertem os Cintos”, resultou na detenção de três pessoas e na identificação de vítimas menores de idade, além de diversas diligências em andamento na capital paulista e na região metropolitana.
O piloto foi identificado como Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, comandante de aeronaves Airbus A320 da LATAM Airlines Brasil. Ele foi preso **dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, momentos antes da decolagem para o Rio de Janeiro (Aeroporto Santos Dumont), durante cumprimento de mandado de prisão temporária.
Segundo a investigação da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, vinculada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, o piloto é suspeito de integrar e possivelmente liderar uma rede criminosa voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes, com atuação que teria se estendido por pelo menos oito anos.
Dinâmica do esquema e prisões
Na mesma ação foram detidas duas mulheres: uma de 55 anos, suspeita de aliciar e “vender” seu próprio acesso às netas menores de idade para o piloto em troca de pagamento, e outra mulher detida em flagrante por armazenar e enviar material com conteúdo ilegal envolvendo menores.
A polícia cumpriu oito mandados de busca e apreensão em endereços em São Paulo e em Guararema (SP), na região metropolitana, além de dois mandados de prisão temporária. A operação contou com a participação de 32 policiais civis e 14 viaturas, em esforços para coletar provas e reunir elementos que corroborem as suspeitas.
Investigações e crimes apurados
De acordo com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), o inquérito iniciou-se em outubro de 2025 e já identificou, até o momento, vítimas menores de idade com idades entre 10 e 15 anos submetidas a situações de abuso e exploração. As investigações apontam que o grupo possuía uma estrutura organizada com divisão de funções e atuação contínua.
A apuração policial inclui a investigação de diversos crimes, como:
– Estupro de vulnerável;
– Favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança e adolescente;
– Produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infantojuvenil;
– Uso de documento falso;
– Aliciamento de menores;
– Perseguição reiterada (stalking);
– Coação no curso do processo.
Autoridades policiais informaram que a intenção da operação é interromper a atuação criminosa, preservar a integridade das vítimas, identificar outros possíveis autores e vítimas e não descartam novas prisões ou diligências adicionais à medida que novas evidências forem analisadas.
Posicionamento da LATAM
Em nota oficial, a LATAM Airlines Brasil afirmou que repudia veementemente qualquer ação criminosa e que está ciente da prisão de um de seus tripulantes durante procedimentos de embarque no voo LA3900 (São Paulo/Congonhas – Rio de Janeiro/Santos Dumont). A empresa destacou que o voo operou normalmente e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, reforçando que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta.
A Polícia Civil mantém sob sigilo informações que poderiam identificar as vítimas, em conformidade com a legislação de proteção a crianças e adolescentes, e também não divulgou detalhes sobre a defesa dos suspeitos detidos. O caso segue em fase de investigação com diligências em curso.
Foto: Reprodução | SSP




