Ex-presidente nega tentativa de fuga, afirma que usou solda por “curiosidade” e relata “alucinação” de uma escuta na tornozeleira eletrônica
Por Redação | Porta A Gazeta RM
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro foi confirmada neste domingo (23), após audiência de custódia por videoconferência. A decisão mantém o ex-presidente detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A medida foi decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com base em dois fatores principais:
Violação da tornozeleira eletrônica: De acordo com relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF), a tornozeleira de Bolsonaro apresentava sinais de dano — há marcas de queimadura na circunferência do aparelho.
Risco de fuga: Moraes citou a convocação de uma vigília por apoiadores organizada pelo filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, como potencial cobertura para uma tentativa de fuga.
Proximidade de embaixadas: Na decisão, o ministro destacou a localização da casa de Bolsonaro em Brasília, próxima a embaixadas (inclusive a dos EUA), o que, segundo o magistrado, aumentaria o risco de ele buscar refúgio diplomático.
– Bolsonaro admitiu que utilizou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira. Segundo ele, o motivo foi “curiosidade”.
– Na audiência de custódia, ele afirmou que a ação ocorreu em meio a uma “alucinação”, na qual acreditava que havia uma escuta instalada no equipamento.
– Ele negou que tivesse a intenção de fugir.
Os advogados de Bolsonaro declararam que a tornozeleira eletrônica foi usada para “humilhar” o ex-presidente e rejeitaram a narrativa de fuga.
Eles afirmam que a prisão preventiva foi motivada por interpretações equivocadas dos danos no aparelho e pretendem recorrer da decisão.
A audiência de custódia foi realizada por videoconferência, com a participação de um juiz auxiliar do gabinete de Moraes.
Também foi garantido a Bolsonaro atendimento médico integral, conforme pedido da defesa e determinações judiciais.
Bolsonaro havia cumprido prisão domiciliar desde 4 de agosto, após decisão do STF. Ele foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

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