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Homem é morto ao tentar defender filha durante ataque a tiros em Jacareí, SP

Carlos Inácio da Silva, de 62 anos, morreu no local; filha dele, Mônica Cristina da Silva, de 38, foi baleada e permanece internada em estado grave. Ex-companheiro é investigado e ainda não havia sido localizado

Por Redação | Portal A Gazeta RM

Um homem de 62 anos morreu após ser baleado ao tentar impedir um ataque contra a filha, de 38, na noite desta terça-feira (18), em Jacareí, no Vale do Paraíba. A vítima foi identificada como Carlos Inácio da Silva. A filha dele, Mônica Cristina da Silva, também foi atingida pelos disparos e permaneceu internada em estado grave.

O principal investigado pelo crime é o ex-namorado de Mônica, Anderson Saldanha Guedes, de 37 anos, que não havia sido localizado até a última atualização do boletim de ocorrência.

O caso aconteceu por volta das 20h03, na Rua Osvaldo B. Miguelis. Segundo o registro feito pela Polícia Civil, Carlos e Mônica estavam no imóvel para conversar com Anderson sobre a divisão de bens relacionada a uma residência que havia sido adquirida pelo ex-casal durante o relacionamento.

Conforme os depoimentos registrados pela Polícia Civil, o encontro tinha como objetivo tratar da divisão do valor do imóvel após o fim do relacionamento entre Anderson e Mônica.

A mãe do investigado relatou aos policiais que a residência havia sido colocada à venda e que Mônica pretendia receber metade do valor. Segundo ela, Anderson não concordava com a divisão.

Ainda conforme o depoimento, o filho teria feito anteriormente declarações indicando que não pretendia permitir que Mônica ficasse com o dinheiro e teria ameaçado tirar a vida dela e, posteriormente, a própria vida.

Durante o encontro, segundo os relatos, Anderson teria deixado o ambiente e seguido para um dos quartos. Pouco depois, teria retornado portando uma arma de fogo e efetuado diversos disparos.

De acordo com o relato do pai do investigado, que afirmou ter presenciado a ocorrência, Anderson teria atirado inicialmente contra Carlos e, em seguida, contra Mônica.

A mulher tentou fugir para dentro da residência, mas acabou atingida. Carlos teria tentado intervir para impedir a agressão contra a filha, porém também foi baleado.

A mãe de Anderson afirmou à polícia que tentou impedir o filho quando percebeu que ele havia pegado algo em uma gaveta. Segundo o depoimento, ela tentou segurá-lo, mas foi empurrada. Na sequência, o investigado teria corrido em direção às vítimas e efetuado os disparos.

A mulher relatou ainda ter ouvido aproximadamente 15 tiros. A quantidade exata de disparos efetuados deverá ser esclarecida pela perícia.

Mônica foi encontrada consciente pelos policiais que chegaram ao endereço. Ela recebeu atendimento de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e foi encaminhada para atendimento médico.

Segundo as informações disponíveis até a última atualização do caso, a mulher permanecia internada em estado grave na Santa Casa de Jacareí.

A Polícia Civil não conseguiu ouvir Mônica durante o registro da ocorrência porque ela permanecia sob cuidados médicos.

Os demais envolvidos que estavam no local foram ouvidos pela polícia. Os depoimentos foram registrados por meio de sistema de gravação audiovisual.

Após o ataque, Anderson teria deixado o local utilizando uma motocicleta Honda NX-4 Falcon.

De acordo com o boletim de ocorrência, a placa informada para o veículo é DYU-3311. Até a emissão do documento policial, às 0h23 desta quarta-feira (19), o investigado ainda não havia sido localizado.

Equipes policiais realizaram diligências para tentar encontrar o suspeito e esclarecer seu paradeiro.

Segundo o pai de Anderson, após fugir, o investigado teria enviado uma mensagem afirmando que não iria mais “envergonhá-lo”.

A informação faz parte dos depoimentos colhidos pela Polícia Civil e será analisada no decorrer da investigação.

A Polícia Civil requisitou a realização de perícia no imóvel onde ocorreu o crime. Durante os trabalhos, foram encontradas e recolhidas cápsulas deflagradas.

Também foi apreendido um carregador de pistola calibre .380, vazio, com capacidade para 12 munições.

A origem da arma utilizada no ataque ainda não havia sido esclarecida. Segundo a mãe do investigado, não havia arma de fogo na residência e Anderson teria conseguido o armamento naquele mesmo dia. Ela afirmou, porém, não saber informar de onde veio a arma.

O material recolhido será submetido aos exames periciais que poderão contribuir para esclarecer a dinâmica do crime e identificar outros elementos relacionados aos disparos.

No registro inicial, a Polícia Civil apontou, em princípio, elementos de autoria e materialidade para a investigação de feminicídio tentado contra Mônica e homicídio consumado contra Carlos.

O homicídio consumado foi registrado com qualificadoras relacionadas a motivo fútil e recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima.

A ocorrência envolvendo Mônica foi registrada como tentativa de feminicídio, considerando o contexto de violência contra a mulher e a relação anterior entre vítima e investigado.

As classificações registradas no boletim correspondem ao enquadramento inicial da ocorrência e podem ser modificadas conforme o avanço das investigações e eventual análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Até a última atualização do boletim de ocorrência, Anderson Saldanha Guedes não havia sido preso.

A Polícia Civil segue realizando diligências para localizá-lo e reunir elementos que permitam esclarecer integralmente as circunstâncias do ataque.

O caso deverá continuar sendo investigado pela unidade responsável em Jacareí. A perícia, os depoimentos das testemunhas, os vestígios encontrados no imóvel e eventuais registros de comunicação e deslocamento do investigado poderão contribuir para a reconstrução da dinâmica dos fatos.

Foto: Reprodução

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