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Suspeita de envolvimento em golpes de mais de R$ 1 milhão se entrega à Polícia em Itanhandu, MG

Luana Oliveira Franco da Rosa é investigada por supostos financiamentos de veículos e empréstimos que teriam causado prejuízos a pelo menos cinco pessoas; defesa contesta prisão preventiva

Por Redação | Portal A Gazeta RM

A mulher investigada por suposto envolvimento em fraudes que teriam causado prejuízo superior a R$ 1 milhão em Itanhandu, no Sul de Minas Gerais, se entregou à Polícia Civil na tarde de sexta-feira (25). Luana Oliveira Franco da Rosa compareceu à Delegacia de Polícia de Itanhandu após a Justiça decretar sua prisão preventiva.

Segundo a Polícia Civil, pelo menos cinco vítimas já foram identificadas durante as investigações. A suspeita foi encaminhada posteriormente ao Presídio Feminino de Santa Rita do Sapucaí.

Antes de se apresentar às autoridades, Luana divulgou um vídeo no qual afirmou que não estava foragida e que seguia orientação de seu advogado enquanto a defesa reunia documentos e outras provas para apresentar no processo.

“Eu não estou foragida, eu estou apenas seguindo a orientação do advogado para ele poder entrar com a defesa e, principalmente, durante esses dias, a gente acumular todas as provas”, afirmou.

Investigação apura financiamentos e empréstimos

De acordo com a Polícia Civil, um dos principais pontos da investigação envolve financiamentos de veículos realizados supostamente em nome de terceiros sem o conhecimento ou consentimento dessas pessoas.

Também são apuradas denúncias relacionadas a empréstimos de dinheiro que teriam sido obtidos mediante promessas de devolução que não teriam sido cumpridas.

Segundo os investigadores, Luana teria se aproximado principalmente de pessoas do próprio círculo de convivência, incluindo amigos, parentes e conhecidos.

Uma das pessoas identificadas como vítima é uma mulher de 72 anos, que, segundo a Polícia Civil, conhecia Luana havia mais de dez anos e frequentava a residência da investigada.

Ainda conforme a investigação, a suspeita teria solicitado documentos pessoais e acesso a dados bancários sob diferentes justificativas, como regularização de cadastro, pagamento de dívidas e outras despesas.

Em alguns casos, as vítimas teriam realizado reconhecimento facial e entregado o próprio aparelho celular à investigada.

Suspeita diz que participou de financiamentos

No vídeo divulgado antes de sua apresentação à Polícia, Luana reconheceu que participou de financiamentos de veículos, mas apresentou uma versão diferente daquela apurada pela investigação.

Ela afirmou que algumas pessoas confiaram nela para realizar os procedimentos e confirmou ter coletado o reconhecimento facial de envolvidos. Segundo a investigada, porém, a elaboração dos documentos e a condução dos procedimentos teriam sido realizadas por um homem ligado a uma concessionária localizada em Passa Quatro (MG).

“Eu realmente me envolvi nesses financiamentos. Pessoas confiaram muito em mim, depositaram toda a confiança. Eu cheguei sim a pegar a facial dessas pessoas, mas quem fez todo o trâmite, o documento, quem inventou tudo, foi o rapaz da concessionária de Passa Quatro”, declarou.

Luana também afirmou que recebia valores entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por veículo e que acreditava na explicação apresentada pelo responsável pela concessionária de que os veículos não permaneceriam registrados em nome das pessoas que haviam fornecido seus dados.

A investigada disse ainda que pretende colaborar com as autoridades e apresentar informações e documentos que, segundo ela, podem ajudar a esclarecer o caso.

“Eu faço questão de colaborar 100% com a Justiça. Estou aqui para dar todas as informações, mesmo que sejam ruins, mas em verdade”, afirmou.

Dono de concessionária é ouvido como testemunha

O proprietário da concessionária de veículos de Passa Quatro mencionado por Luana também foi ouvido pela Polícia Civil.

Segundo o delegado Márcio Borba, o comerciante apresentou documentação relacionada aos veículos financiados. Conforme as informações divulgadas sobre a investigação, os veículos possuem restrições e impedimentos administrativos que impedem a transferência.

Até o momento, segundo o delegado, não foram identificados indícios contra o proprietário da concessionária. Ele é tratado no inquérito como testemunha, e não como investigado.

A investigação deverá analisar a documentação apresentada e os demais elementos reunidos para esclarecer como os financiamentos foram realizados e qual teria sido a participação de cada pessoa envolvida.

Prisão preventiva foi decretada em setembro

A Justiça decretou a prisão preventiva de Luana em 16 de setembro. Na ocasião, segundo a Polícia Civil, agentes foram até a residência dela para cumprir a ordem judicial, mas não a encontraram.

Ainda conforme a Polícia, a mãe da investigada informou aos agentes que ela não estava no imóvel.

Naquele momento, os investigadores também apuravam informações de que Luana poderia estar em Santos (SP) ou em Cruzeiro (SP).

Antes de se entregar, entretanto, a investigada afirmou que manteve contato com as autoridades por intermédio de seu advogado e que havia comunicado à Polícia Civil a intenção de se apresentar.

A prisão preventiva foi cumprida após a apresentação voluntária da investigada na Delegacia de Itanhandu, na sexta-feira (25).

Defesa contesta prisão preventiva

O escritório Firmino Advocacia, responsável pela defesa de Luana, informou que ela compareceu voluntariamente à Delegacia de Polícia de Itanhandu em 3 de setembro para prestar esclarecimentos e que, segundo os advogados, desde o início não teria se recusado a colaborar com as autoridades.

A defesa afirma que a prisão preventiva foi decretada em 16 de setembro, poucos dias após o comparecimento espontâneo da investigada.

Os advogados consideram a medida desnecessária e sustentam que, na avaliação da defesa, não existem elementos concretos que justifiquem a prisão preventiva.

Ainda segundo o escritório, já foram adotadas medidas judiciais com o objetivo de permitir que Luana responda às acusações em liberdade.

Investigada afirma que pretende ressarcir vítimas

Em relação aos empréstimos mencionados na investigação e também discutidos na esfera cível, Luana afirmou que procura, há mais de um ano, uma maneira de ressarcir as pessoas que teriam confiado nela.

Durante o vídeo, ela também pediu desculpas às pessoas que afirmam ter sido prejudicadas.

“Tenho que pedir perdão para todos aqueles que confiaram em mim”, declarou.

A investigada afirmou ainda esperar que a apuração identifique todas as pessoas que possam ter participado dos fatos.

“Espero que todas as pessoas envolvidas nisso respondam por isso, que a investigação seja feita da melhor maneira possível e que a Justiça seja feita”, afirmou.

Investigação continua

Com a apresentação de Luana e o cumprimento da prisão preventiva, a investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil. Os investigadores deverão analisar documentos, movimentações financeiras, contratos de financiamento, imagens, depoimentos e demais elementos que possam contribuir para esclarecer os fatos.

A apuração também deverá estabelecer a eventual participação individual de cada pessoa mencionada no caso.

Até o momento, as acusações contra Luana permanecem sob investigação, e a prisão preventiva não representa condenação. A responsabilidade criminal somente poderá ser definida após o devido processo legal e eventual decisão judicial definitiva.

A defesa da investigada contesta as acusações e busca judicialmente a possibilidade de que ela responda ao processo em liberdade.

Foto: Reprodução

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