Sandro Luiz Alves Portilho foi condenado por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e destruição e ocultação de cadáver de Daniela Maria Paiva de Paula, morta aos 12 anos em 2011
Por Redação | Portal A Gazeta RM
O Tribunal do Júri da Comarca de Lambari, no Sul de Minas Gerais, condenou, nesta quarta-feira (30), Sandro Luiz Alves Portilho a 40 anos e 4 meses de prisão pela morte da adolescente Daniela Maria Paiva de Paula, de 12 anos. O crime aconteceu em 2011 e permaneceu sem autoria definida durante anos.
O julgamento ocorreu aproximadamente 15 anos após o assassinato. Sandro foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, estupro de vulnerável e destruição e ocultação de cadáver.
De acordo com as informações do processo, os jurados reconheceram as qualificadoras apresentadas pela acusação, entre elas o emprego de meio cruel, a asfixia e o recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A sessão teve início às 9h20 e foi presidida pelo juiz André Luiz Polydoro. O Conselho de Sentença foi formado por sete jurados, sendo quatro homens e três mulheres.
Durante o julgamento, Sandro negou a autoria dos crimes.
Adolescente desapareceu após sair de casa
Daniela desapareceu em 13 de maio de 2011, depois de deixar a residência para encontrar a mãe, que trabalhava como diarista.
A adolescente, entretanto, não chegou ao local onde a mãe estava.
A família passou a procurar informações sobre o paradeiro da menina. Três dias depois do desaparecimento, um agricultor encontrou o corpo em uma área de mata nas proximidades do Parque Estadual Nova Baden, em Lambari.
Segundo as informações do caso, o corpo estava parcialmente nu e carbonizado, o que dificultou inicialmente o esclarecimento das circunstâncias da morte.
A investigação permaneceu sem uma definição de autoria durante anos.
DNA ajudou a esclarecer autoria
Um dos principais avanços na investigação ocorreu anos depois do crime.
Em 2017, uma confrontação de materiais genéticos relacionados a outros crimes atribuídos a Sandro apontou compatibilidade entre o DNA dele e material biológico encontrado no corpo de Daniela.
O resultado passou a integrar o conjunto de elementos utilizados pela investigação para relacionar o réu ao assassinato da adolescente.
A identificação genética foi, portanto, um dos elementos relevantes para o avanço da apuração que culminou no julgamento realizado nesta quarta-feira.
Réu já possui outras condenações
Sandro Luiz Alves Portilho já possui outras condenações por crimes violentos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Em 2017, ele foi preso no Rio de Janeiro após a morte de Thifany Nascimento de Almeida, de 11 anos.
Segundo as investigações daquele caso, a menina teria sido atraída sob a promessa de receber um filhote de cachorro. O corpo foi localizado dentro de uma mala na comunidade de Acari, na Zona Norte do Rio.
Posteriormente, Sandro foi condenado a 37 anos de prisão pelo homicídio e pela ocultação do cadáver de Thifany.
Condenação por morte de adolescente em Lambari
Sandro também foi condenado pela morte de Hanah Pereira da Silva, de 17 anos, em outro caso ocorrido em Lambari.
O corpo da adolescente foi encontrado carbonizado, em janeiro de 2011, dentro de um chalé.
Em 2022, Sandro recebeu pena de 21 anos de prisão pelo homicídio duplamente qualificado e pela ocultação de cadáver relacionados ao caso.
Outras condenações
Na Justiça de Juiz de Fora, Sandro foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de Maria Helena Marçola Alves, de 37 anos, em um crime ocorrido em 2004.
Em 2019, recebeu ainda uma pena de 11 anos de prisão por estupro de uma adolescente de 16 anos.
As diferentes investigações e condenações fizeram com que autoridades relacionassem o réu a outros crimes violentos e sexuais cometidos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Segundo os elementos apresentados nos processos, também foram apontadas semelhanças no modo de atuação em diferentes ocorrências. Essas conclusões, contudo, estão relacionadas aos respectivos procedimentos judiciais e não significam que todos os crimes investigados tenham necessariamente resultado em condenação.
Julgamento encerra etapa de investigação iniciada em 2011
A condenação pela morte de Daniela representa mais uma etapa no processo iniciado após o desaparecimento da adolescente, em maio de 2011.
Durante anos, a ausência de uma definição sobre a autoria manteve o caso em investigação. A identificação genética realizada posteriormente contribuiu para direcionar as apurações e levar o acusado ao Tribunal do Júri.
Com a decisão desta quarta-feira, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade penal de Sandro pelos crimes que foram objeto da acusação, estabelecendo pena de 40 anos e 4 meses de reclusão.
A decisão está sujeita às medidas e aos recursos previstos na legislação. A execução da pena e eventuais alterações decorrentes do andamento processual dependerão das determinações da Justiça.
O caso de Daniela, que começou com o desaparecimento de uma menina de 12 anos em 2011, chega assim a uma nova etapa judicial mais de uma década depois da descoberta do corpo e após anos de investigação.
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