Presidente afirma que parte dos recursos destinados à empresa será utilizada para quitar salários atrasados; governo aposta na recuperação da fabricante estratégica para o setor de defesa
Por Redação | Portal A Gazeta RM
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta sexta-feira (24) que o Governo Federal irá ampliar as encomendas para a Avibras Indústria Aeroespacial, como parte da estratégia de fortalecimento da Base Industrial de Defesa do Brasil. O anúncio foi feito durante visita à unidade da empresa em Jacareí, no interior de São Paulo.
Durante o evento, Lula afirmou que o Ministério da Defesa prepara novos contratos para a fabricante, considerada uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa e tecnologia militar. Segundo o presidente, além de garantir demanda para a indústria nacional, parte dos recursos destinados à Avibras será utilizada para quitar salários atrasados dos trabalhadores, conforme acordo firmado no processo de recuperação judicial da empresa.
“Cada recurso que entrar na Avibras terá uma parte destinada ao pagamento dos salários dos trabalhadores, conforme o compromisso assumido durante a recuperação da empresa”, afirmou Lula.
Recuperação da empresa
A Avibras retomou oficialmente suas atividades após a celebração de um acordo entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, aprovado pelos trabalhadores em março deste ano.
O acordo prevê o pagamento das dívidas trabalhistas, estimadas em aproximadamente R$ 230 milhões, acumuladas ao longo do período em que a empresa enfrentou grave crise financeira.
A fabricante entrou em recuperação judicial em 2022, após enfrentar dificuldades econômicas e redução de contratos. Naquele ano, chegou a anunciar cerca de 420 demissões, posteriormente revertidas.
Também em setembro de 2022, os trabalhadores iniciaram uma greve motivada pela falta de pagamento dos salários. A paralisação durou cerca de 1.280 dias, sendo considerada uma das mais longas já registradas no setor industrial brasileiro. Durante esse período, aproximadamente 1,4 mil funcionários foram afetados pelos atrasos salariais.
Alckmin destaca geração de empregos
Durante a visita, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a retomada das atividades já permitiu a contratação de 480 trabalhadores.
Segundo ele, o crescimento da empresa poderá resultar na reativação da unidade da Avibras em Lorena (SP), responsável pela fabricação de insumos utilizados na produção de combustíveis para foguetes, mísseis e sistemas lançadores.
“A reabertura da empresa permitiu contratar 480 colaboradores e a tendência é que continue crescendo. Com isso, poderá reabrir também a fábrica de Lorena, onde são produzidos insumos para o combustível de foguetes, mísseis e lançadores”, declarou o vice-presidente.
Setor estratégico
Alckmin também ressaltou a importância da Avibras para a indústria nacional de defesa e afirmou que o Brasil ampliou significativamente as exportações do setor nos últimos anos.
De acordo com o vice-presidente, as exportações brasileiras de produtos de defesa passaram de US$ 600 milhões em 2022 para cerca de US$ 3,4 bilhões no ano passado, representando um crescimento superior a cinco vezes no período.
“É uma indústria estratégica. O Brasil ampliou significativamente suas exportações de produtos de defesa. A Avibras tem todas as condições para voltar a crescer e contribuir para que o país mantenha capacidade tecnológica e de defesa”, afirmou.
Empresa é referência em tecnologia militar
Fundada em 1961, a Avibras é uma das principais empresas brasileiras do setor aeroespacial e de defesa, reconhecida internacionalmente pelo desenvolvimento de sistemas de artilharia, foguetes guiados, mísseis e veículos militares.
Entre seus principais produtos está o Sistema ASTROS (Artillery Saturation Rocket System), utilizado pelo Exército Brasileiro e exportado para diversos países. A empresa também desenvolve tecnologias voltadas às áreas espacial, aeronáutica e de defesa estratégica.
A visita presidencial integra as ações do Governo Federal voltadas ao fortalecimento da indústria nacional de defesa, considerada estratégica para o desenvolvimento tecnológico, geração de empregos qualificados e ampliação da capacidade produtiva do país.

Fotos: João Mota





