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Rebelião na Penitenciária I de Potim, SP teve referência ao “Novo Cangaço”, aponta investigação

Motim deixou dois detentos mortos, quatro feridos e manteve 14 mulheres e uma criança reféns por cerca de 18 horas; nove presos foram indiciados

Por Redação | Portal A Gazeta RM

A rebelião ocorrida entre sábado (20) e domingo (21) na Penitenciária I de Potim ganhou novos desdobramentos após a conclusão do boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Civil. O documento aponta que uma das paredes da unidade prisional recebeu inscrições com a palavra “cangaço” e menções ao termo “Novo Cangaço” durante o motim.

A ocorrência resultou na morte de dois detentos, deixou outros quatro presos feridos e manteve 14 mulheres e uma criança retidas dentro da penitenciária por aproximadamente 18 horas. Ao término das investigações preliminares, nove detentos foram indiciados por participação nos crimes registrados durante a crise.

Segundo informações constantes no boletim, a situação teve início durante o período de visitas, quando algumas visitantes foram submetidas a procedimentos de inspeção no sistema de acesso da unidade. A partir desse momento, presos iniciaram um motim que rapidamente se expandiu para outras áreas do pavilhão.

Durante a ação, os detentos montaram barricadas utilizando colchões, grades e materiais disponíveis no ambiente prisional, dificultando o acesso das equipes de contenção. Também foram apreendidas armas artesanais confeccionadas com fragmentos metálicos e objetos perfurantes.

As investigações apontam ainda que pelo menos cinco presos foram mantidos sob domínio de outros internos como forma de pressionar as negociações conduzidas por equipes da Polícia Penal e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar. As visitantes e a criança foram libertadas após um acordo que encerrou a rebelião.

Mortes e superlotação

De acordo com a Polícia Civil, os dois detentos mortos apresentavam lesões provocadas por objetos perfurantes e contundentes. A dinâmica exata das mortes será esclarecida após a conclusão dos laudos periciais.

O boletim de ocorrência também destaca a situação de superlotação da unidade. A Penitenciária I de Potim possui capacidade para 748 presos, mas abrigava 1.302 detentos no momento do motim, o equivalente a aproximadamente 174% da capacidade instalada.

Os nove presos indiciados poderão responder, em tese, pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, motim de presos e cárcere privado.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil e deverá ser analisado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.

O que é o chamado “Novo Cangaço”

Apesar da inscrição encontrada durante a rebelião, o chamado “Novo Cangaço” não é considerado uma facção criminosa específica ou uma organização única e estruturada, segundo especialistas em segurança pública.

O termo passou a ser utilizado por autoridades e pesquisadores para definir uma modalidade de ação criminosa caracterizada por ataques planejados e altamente violentos contra instituições financeiras, empresas de transporte de valores e bases policiais, principalmente em cidades de pequeno e médio porte do interior do país.

Entre as principais características dessas ações estão:

– Uso de armamento de grosso calibre;

– Emprego de explosivos para violação de cofres e caixas eletrônicos;

– Bloqueio de vias de acesso às cidades;

– Incêndio de veículos para dificultar a chegada das forças de segurança;

– Utilização de moradores como escudos humanos em algumas ocorrências.

Nos últimos anos, investigações das forças de segurança identificaram a participação de integrantes de diferentes organizações criminosas em ataques classificados como “Novo Cangaço”, sem que haja evidências de uma liderança nacional única ou de uma facção com esse nome oficialmente constituída.

As autoridades ainda apuram se a inscrição encontrada na Penitenciária I de Potim possui relação direta com grupos criminosos envolvidos em ataques dessa natureza ou se foi utilizada apenas como forma de intimidação durante a rebelião.

Foto: Reprodução

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