Ação cumpriu mandados em três cidades e apura possível uso irregular de recursos públicos
Por Redação | Portal A Gazeta RM
O vereador e policial militar Greg Duarte (PL), de Angra dos Reis (RJ), é um dos alvos da Operação Caça Fantasmas, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (24). A ação investiga a nomeação de assessores sem atuação efetiva e possíveis irregularidades no uso de recursos públicos em troca de apoio político.
De acordo com a Polícia Federal, quatro pessoas são investigadas no inquérito. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Eleitoral, nas cidades de Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Juiz de Fora (MG).
Um dos alvos foi o próprio vereador, que teve a residência e o gabinete incluídos nas diligências. Durante a operação, agentes apreenderam o telefone celular do parlamentar para perícia.
As investigações apontam que uma assessora vinculada ao gabinete de Greg Duarte estaria exercendo, simultaneamente, um curso de medicina em período integral, o que levantou suspeitas sobre a compatibilidade com a carga horária do cargo público.
Segundo dados disponíveis, a função ocupada exige jornada de 40 horas semanais com atuação na Câmara Municipal. A Polícia Federal apura se a servidora exercia, de fato, as atividades atribuídas ou se se trata de um caso de “funcionária fantasma”. O nome da assessora não foi divulgado.
Em declaração à imprensa, o vereador afirmou que a assessora realiza trabalho remoto, com atividades como análise de pautas e projetos de lei. Segundo ele, esse tipo de atuação é permitido, mesmo fora das dependências físicas da Câmara.
Greg Duarte também declarou que a servidora já atuou presencialmente no gabinete e negou qualquer irregularidade. O parlamentar afirmou ainda que nada de ilícito foi encontrado durante as buscas e classificou a apreensão do celular como um procedimento padrão em investigações.
O vereador questionou a condução do caso e sugeriu que a investigação possa ter motivações pessoais. Ele também afirmou que não há indícios de recebimento indevido de valores e que suas contas eleitorais estão regulares.
Em nota oficial, a Câmara Municipal de Angra dos Reis informou que ainda não teve acesso formal aos autos da investigação, mas destacou que está à disposição da Polícia Federal para colaborar com o esclarecimento dos fatos.
O Legislativo municipal afirmou que defende a apuração rigorosa de quaisquer indícios de irregularidade e que adotará as medidas administrativas cabíveis assim que tiver acesso aos detalhes do processo.
A Câmara também ressaltou que as atividades legislativas seguem normalmente e que a investigação envolve, até o momento, condutas individuais relacionadas a um gabinete específico.
A Polícia Federal não divulgou a identidade dos demais investigados. O material apreendido durante a operação será analisado para verificar a existência de irregularidades e aprofundar as apurações.
Casos semelhantes já foram alvo de operações no país, com foco na identificação de servidores nomeados sem prestação efetiva de serviço, prática que pode configurar improbidade administrativa e crime eleitoral, dependendo das circunstâncias.
Foto: Divulgação | CMAR




